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Escritor e graduando em Letras.

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Antes de pensar em uma sociedade liberal, precisamos pensar em indivíduos liberais. Não basta apenas legislar, dar liberdade econômica e acreditar que isso seja uma prerrogativa suficiente para construirmos uma sociedade liberal. É abstruso tratar o liberalismo, enquanto filosofia, apenas pela definição presente nos dicionários. Sua extensão e profundidade ultrapassa definições sucintas, sua proposta de avanço não é expressa com totalidade apenas pela sua significante, conhecer, compreender e aplicar são etapas presentes na caminhada do liberalismo, sendo vazia em existência naqueles que se intitulam liberais pelo fascínio às ideias e não às ações.

Quando buscamos levantar o pilar liberal em nossa civilização, precisamos levantar esse pilar, antes de qualquer coisa, em nós enquanto indivíduos. É inseparável sociedade liberal e indivíduos liberais, não sendo necessário a presença majoritária de liberais, mas daqueles que defendem os princípios de liberdade de forma integral a todos. A verdade é: “Não podemos acrescentar liberdade no mundo sem antes acreditar nela”. Um ponto imprescindível no debate sobre o liberalismo é sua filosofia, que se aplica à sociedade e não se restringe ao capitalismo. Este que tantas vezes mostrou carregar falhas existenciais e de aplicabilidade, mas que, no entanto, não justifiquem buscar o extermínio do modelo econômico mais universal que temos. Mesmo sendo alvo de críticas, até mesmo de liberais, é o único que carrega em sua natureza a capacidade de gerar renda ao longo da sua cadeia de produção, fomentar dinâmicas que busque inovações e o desenvolvimento em diversas ordens.

É fundamental reforçar que o liberalismo surge no campo social-político e sua natureza é explorada no campo econômico no decorrer da história. Deste modo, o liberalismo, ab ovo, está em constante evolução e tem seus princípios na ordem política, civil, individual, educacional, coletiva, econômica e et cetera. Ele trata de um conjunto de teorias, práticas e pensamentos nos mais diversos campos, nunca restrito a um, tanto em ação como em reação, o que torna insustentável a avaliação crítica do liberalismo como um todo partindo somente de um campo e avaliando somente um campo. A necessidade de avaliar os impactos sociais, políticos, econômicos e outros segmentos que permeiam nossa realidade tornam-se critérios essenciais para o entendimento amplo não somente do liberalismo. Mapear, sistematizar e efetuar um diagnóstico preciso é uma metodologia que mostra como os princípios liberais avançam, mesmo com resistências, na história das nossas instituições, nacionais e internacionais, apresentando ganhos sociais sem iguais.

Pensando no liberalismo como parte da ordem social, é fundamental reafirmar que a organização sociocultural de uma nação e a formação individual de uma pessoa se dão de maneira espontânea em uma democracia liberal. Não cabe ao Estado exerce o controle de individualidades. Além de falhar, uma vez que é impossível controlar o íntimo de um indivíduo, os custos de fazer valer a coerção seriam catastróficas nas mais diversas ordem de nossa sociedade. A guerra às drogas exemplifica bem até onde o Estado pode chegar e suas consequências negativas. Repensar a atuação do Estado não é prerrogativa econômica apenas, é social, pois tal capacidade de atuação manifesta-se negativamente por meio outros meios, como pela censura. Não é novidade que é de interesse de alguns agentes públicos o controle do que pode ou não ser manifestado na arte, ambiente educacional, espaços públicos e afins.

A liberdade é uma necessidade básica de qualquer indivíduo, pois é por meio dela que a individualidade se firma na realidade. Responsabilidade é o dever de todos que utilizam a liberdade como direito, pois a individualidade de todos têm o mesmo valor, e adotar limites para a extensão de nossas liberdades é um caminho para construir espaços plurais e tolerantes. Não permitir que nossa liberdade seja nociva ao outro é o mais puro exemplo de que defender a individualidade é uma antípoda do individualismo. É por meio do egoísmo que a intolerância se manifesta, um reflexo da negação da liberdade alheia. Sociedades e pessoas intolerantes não mudam a individualidade de seus membros, apenas torna a existência deles uma gaiola.