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Consultora da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), é advogada graduada pela Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e especialista em finanças públicas pela Fundação João Pinheiro. É Conselheira do Instituto Mercado Popular. Consultora da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), é advogada graduada pela Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e especialista em finanças públicas pela Fundação João Pinheiro. É Conselheira do Instituto Mercado Popular.

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Por fact-checking estou apenas pensando em uma mera conferência de dados – ou seja, não estou nem considerando o problema epistemológico de se avaliar proposições e argumentos.

Trabalho como consultora na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. No ano passado, meu setor se debruçou sobre os estudos apresentados sobre a previdência para poder assessorar os parlamentares sobre as divergências em debate, especialmente na questão da existência ou não do déficit e seu valor.

Foi preciso mais de um mês, com vários consultores super capacitados envolvidos, para fazer engenharia reversa dos dados apresentados pela Anfip e pelo governo.

Os problemas já começavam das fontes que cada um utilizava – o próprio governo lança números diferentes no balanço anual, no balanço da seguridade social da SOF, no site do INSS e outros relatórios. Isso porque cada estudo tem uma finalidade e um metodologia.

A gente queria entender exatamente o que compunha cada um desses agregados a partir dos dados mais desagregados, disponíveis no Siafi. As memórias de cálculo não existem ou são muito mal feitas. Em contato em Brasília, vimos que nem mesmo os diferentes órgãos sabem explicar tudo.

Depois de algumas semanas de muito trabalho conseguimos entender exatamente o que a SOF entendia como despesa e o que desconsiderava. O mesmo para receita. E depois fizemos isso para o estudo da Anfip, embora nesse caso houve 1% não explicado (números que não batiam com Siafi).

Assim pudemos apresentar aos deputados no que consistia a diferença entre os números (não é só a exclusão do RPPS que levava à diferença, e para algumas outras despesas a Anfip estava certa ao desconsiderar, como pagamento de auxílio-saúde a servidores ser seguridade). Apresentamos os argumentos que cada um tinha para adotar aqueles números.

Isso tudo, apenas para um único ano base. É trabalho de especialista, difícil, e seria preciso muito mais tempo e muito mais gente se não fosse o caso.

Não sou contra a existência per se de agências de fact-checking, desde que esse mercado seja aberto, concorrido e – principalmente – não vinculante. Agências de rating existem para investimentos, por exemplo. Me parece normal que tais soluções surjam para atender uma busca por informações.

O grande problema é fact-checking passar a ser tribunal da verdade. Agências erram, e no modelo “jornalista não especialista fazendo pesquisa no google com poder de restringir acessos”, vão errar mais ainda.