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Graduado em Design de Moda pela UNIVALI, Técnico em Produção de Moda pelo SENAI, Ator formado pela EPASC, Artista Visual trabalhando com escultura têxtil, ativista liberal fundador do Grupo Barão de Mauá vinculado ao SFL, Associado do LIVRES e membro da Câmara Setorial de Artes Visuais de Balneário Camboriú. Atua no mercado fazendo consultoria e assessoria para a indústria e o varejo de moda.

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Não há pior palavra no dicionário para um liberal do que a palavra “censura”, pois ela é a ação direta do autoritarismo estatal incidindo diretamente sobre a liberdade de expressão de um indivíduo. Da mesma forma, não há pior palavra no dicionário para quem é artista.

A liberdade de expressão, de acordo com a autora Ayn Rand em sua obra “A virtude do Egoísmo”, “significa que um homem tem o direito de expor as suas idéias sem o perigo de supressão, interferência ou ação punitiva do governo. […]”.

Ocorre que aqui em Balneário Camboriú, SC; cidade onde vivo, o projeto “Experiência Lote 84” que foi aprovado pela LIC (Lei de Incentivo à Cultura) no ano passado e promoveu além de oficinas, a exposição “Ruína” que inaugurou na Galeria Municipal no dia 5 de Fevereiro e foi fechada logo no dia 6 de Fevereiro por causa da obra “Buraco” da artista Luluca L. que usou a foto de um ânus para, de maneira subversiva e metafórica, representar o buraco no teto dessa mesma Galeria Municipal de Artes que veio abaixo no ano passado, e que foi alvo de protestos dos artistas da cidade, onde me incluo, pela má gestão e má conservação desse prédio público.

George Orwell dizia que: “Se a liberdade significa alguma coisa, será sobretudo o direito de dizer às outras pessoas, o que elas não querem ouvir.” Adaptando essa idéia de Orwell para o universo das artes visuais, podemos complementá-la utilizando o sentido da visão. Se a liberdade significa alguma coisa, será sobretudo o direito de dizer e mostrar às outras pessoas, o que elas não querem ouvir e não querem ver.

O fechamento da exposição foi determinado pela Fundação Cultural de Balneário Camboriú na pessoa de sua presidente, Bia Mattar, e autorizado pelo prefeito Fabrício de Oliveira, que já se declarou inúmeras vezes alinhado ao bolsonarismo. A Fundação Cultural justificou o ato de censura por considerarem o conteúdo da exposição gerador de polêmicas, mas quem defende a liberdade por inteiro sabe que todo e qualquer ato de censura deseja, travestida de “garantia da lei e da ordem pública”, impor a ditadura do discurso politicamente correto, seja ele de direita ou de esquerda. Nesse caso, a censura fica ainda mais explícita quando é sabido que a classificação etária para visitar a exposição era de 18 anos.

Munidos de um argumento vitimista, de que uma obra de arte com a imagem de um ânus dentro da Galeria Municipal de Artes possa destruir as bases da família tradicional e da sociedade ocidental, os advogados do politicamente correto de direita nesse caso específico, não querem outra coisa senão calar seus divergentes, sempre dizendo que os que pensam e agem diferente de sua cartilha, representa uma ofensa, e que não devem, jamais, serem tolerados.

Faz todo sentido que nós do LIVRES, e todos os verdadeiros liberais, para quem a liberdade de expressão é algo tão sagrado e caro, se opunham com veemência à faceta autoritária do politicamente correto. Não é preciso concordar e aplaudir a obra “Buraco” e nem visitar a exposição “Ruína”, onde a obra se encontra atualmente velada por um tecido preto, para que nós enquanto instituição e enquanto indivíduos possamos defender o direito da artista Luluca L. expressar sua arte e sua visão estética, por mais que a obra possa não nos agradar.

Para a artista Luluca L., nunca foi fácil para propostas dissidentes e decoloniais encontrarem lugar de fala no sistema de arte. A obra “Buraco” é conceitual e serve de metáfora para muitas coisas: para um buraco no teto da Galeria Municipal de Artes, que desabou no mesmo dia em que artistas desmontavam uma mostra, para o momento político que passamos com o presidente e o seu guru constantemente falando com o cu na boca. Eu vejo muito sendo dito sobre a obra por gente que nunca vai a uma exposição de arte e sequer a viu instalada. Isso descontextualiza o discurso e a função dela.

Ainda de acordo com Luluca L., o posicionamento da Fundação Cultural é falacioso. Todas as ações foram feitas perante diálogo direto com a Comissão de Organização e Acompanhamento. Como que a exposição abriu se estava completamente fora dos procedimentos segundo eles? Houveram no mínimo dois responsáveis pela fiscalização, montagem e liberação da exposição. A equipe técnica da Galeria Municipal auxiliou. Uma dessas pessoas foi a própria presidente da Fundação Cultural, que acompanhou todo o processo, deu idéias, autorizou a abertura, esteve presente e até discursou protocolarmente.

São atos como esse da presidente da Fundação Cultural, Bia Mattar, do prefeito de Balneário Camboriú, Fabrício de Oliveira e de todo tipo de militância politicamente correta que me impulsionam a lutar cada vez mais por liberdade em minha cidade, porque o que distingue um verdadeiro liberal dos demais não é apenas a defesa da liberdade por ela mesma. Isso todos dizem defender. Mas a grande distinção do verdadeiro liberal é o amor à liberdade alheia.