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Diplomata e escritor, é doutor em Ciências Sociais pela Universidade Livre de Bruxelas e mestre em Planejamento Econômico.

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Publicamos as notas preparatórias do embaixador Paulo Roberto de Almeida para o LivresAoVivo Mundo pós-pandemia: contexto político e tendências internacionais, de 25 de maio.

Apresentação

Nós não sabemos, de verdade, como será o mundo pós-pandemia. Não somos como aqueles astrólogos que, todo início de ano, anunciam o seu lote de catástrofes, de mortes de pessoas famosas, terminando finalmente por dizer que, independentemente dessas pequenas ou grandes misérias, o ano que se inicia será certamente melhor do que aquele que acaba de se encerrar. Teve uma época, durante toda a duração do lulopetismo, em que eu costumava fazer, não previsões astrológicas, mas previsões imprevidentes, que consistiam, na verdade, em coisas que não tinham a menor chance de acontecer, ainda que tivessem certa dose de plausibilidade. Nisso eu era bastante ajudado pelos companheiros, pois tinha a pretensão de anunciar coisas do tipo: o governo vai se converter ao capitalismo, o MST vai parar de hostilizar o agronegócio, uma América Latina cada vez mais integrada, e outras do gênero.

Na última grande crise antes desta, em 2008, eu até tinha tido a pretensão de anunciar que 2009 seria ótimo, pelo menos para os marxistas, que podiam ter mais uma confirmação da débâcle definitiva do capitalismo, ou pelo menos o anúncio de que o fim estava próximo. Mas como apreciador da história econômica, leitor de Charles Kindleberger – e das várias edições de seu famoso livro Manias, Panics, and Crashes, tendo eu mesmo acrescentado mais algumas crises para o caso do Brasil –, eu sempre soube que as crises não acabam, com cisnes negros ou brancos, e que haverá outras, certamente, mas em número muitas vezes menor do que todas aquelas crises previstas pelos economistas catastrofistas, como Nouriel Roubini, por exemplo, também conhecido como Mister Doom.

Mas, não pretendo reproduzir minhas previsões imprevidentes em relação à atual pandemia, senão adotar uma postura de humildade: não sabemos, realmente, do que será feito o mundo pós-pandemia, supondo-se que haja um, ou seja, de que fiquemos livres, durante mais algumas décadas pelo menos, da próxima pandemia, do próximo vírus mortal, que anda por aí, esperando sua oportunidade. Posso apenas repetir, como já fez o embaixador Rubens Ricupero, em diversas oportunidades nas últimas semanas, que não cabe esperar nenhuma grande transformação radical, mudança estrutural do mundo como ele é hoje, o que tampouco ocorreu com as pandemias anteriores: a vida retorna, retomam-se os velhos hábitos, com algumas alterações inevitáveis. Os que as grandes crises pandêmicas fazem, de certa forma, é acelerar tendências que já se encontravam em curso anteriormente, acelerando mudanças na economia, na produção, na pesquisa científica.