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Em live realizada pelo Livres nesta segunda-feira, 25/05, o diplomata e embaixador Paulo Roberto de Almeida discutiu, ao lado de Rubens Ricupero e a especialista em comércio exterior Sandra Rios, como estará o mundo depois da pandemia do novo coronavírus.

O embaixador e conselheiro acadêmico do Livres reservou sua fala inicial para tecer algumas críticas à maneira através da qual o governo Bolsonaro tem conduzido o Brasil não apenas na crise do coronavírus, mas falando também em diplomacia.

“Nós estamos mal na foto. Eu me lembro de um antigo conceito, que está vinculado dos impérios declinantes de um século e meio atrás. No final do século XIX, surgiu o conceito de “homem doente”. Em primeiro lugar, o “homem doente da Ásia”, em especial da China, que estava no fim do Império Chin. Logo após, o Império Otomano foi designado como “Império doente”, e todos aqueles outros centrais que se desfizeram. Hoje, nós podemos dizer que o Brasil é o “homem doente” da América do Sul”, disse o diplomata. PRA continua: “Esse é um conceito muito doloroso, sobretudo para um diplomata, falar que somos o “homem doente da América do Sul”. Esse conceito de “homem doente” não se aplica somente nos Impérios decadentes. Eu me lembro, há alguns anos atrás, a “Economist”, fez uma capa sobre a Alemanha, que tinha dificuldades em introduzir reformas laborais, se referindo a ela como o “homem doente” da Europa. Hoje, o Brasil é o homem doente da América do Sul. E não só pelo Covid, mas pela ameaça de projeção externa do vírus Bolsonaro. A título diplomático, nós também somos o homem doente, não apenas da América do Sul, mas também do mundo. Somos um Estado-pária. Viramos um pária, objeto de desprezo, indiferença, olhares sardônicos. Ninguém quer tirar foto ao lado do Brasil”, finalizou o embaixador.

A economista Sandra Rios também fez seu complemento para como as relações comerciais internacionais ficariam logo após a pandemia, além de diagnosticar como estava a situação antes da Covid e o presente momento.

“A pandemia atingiu o mundo num momento em que se acirravam os conflitos entre os EUA e China na área do comércio. As instituições internacionais de conserto de regras vão perdendo suporte, as soluções bilaterais entre as grandes potências vão ganhando espaço. Há uma certa tendência, também, de retração das cadeias globais de valor e etapas de processo de produtivo. Tendência de aumento de protecionismo em vários âmbitos, ou seja, um mundo que já não era muito favorável. Chega a pandemia nesse ambiente, o que ela traz? Na área do comércio, há um impacto sobre a oferta de trabalho, e portanto sobre a produção. E aí você tem efeitos sobre o comércio vindos pelo lado da oferta. O segundo tem a ver com as questões de isolamento, que são em parte sobre logística e transporte. E o terceiro que tem a ver com as reações internacionais, na área de comércio, aos desafios do Covid. O que a maioria dos países tem feito é restringir as exportações. Muitos deles reduziram tarifas de importação e eliminaram taxas anti-dumping que incidiam sobre produtos de combate à Covid, mas restringiram exportação”, disse a economista.

Você pode assistir à gravação da live aqui: