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Por Lucas Franceschi, coordenador estadual do Livres pelo Paraná e coordenador nacional da Setorial LGBTI+ do Livres. 

 

Quem é Deirdre McCloskey?

Deirdre McCloskey é uma das principais expoentes de um liberalismo mais social, vertente que enxerga que a liberdade só faz sentido porque e quando melhora a situação dos mais vulneráveis.  

Adepta da vertente hayekiana, expositora ímpar das ideias originárias de Adam Smith, a economista defende a instituição das trocas voluntárias de mercado como ponto de enriquecimento de uma sociedade. Advogada de uma visão humanista acerca da Ciência Econômica, uma vertente da Economia que dialogue com as ciências humanas – que apelida de “Humanomics”, ou, na livre tradução deste autor, Humanoeconomia – a pesquisadora parte para o estudo da literatura de língua inglesa, da história e da retórica econômica dos séculos que precederam o século XVIII – conhecido como Século das Luzes, no qual o movimento Iluminista chegou ao seu ápice, e a Revolução Industrial, finalmente, tomou o seu rumo. 

Sua tese: nessa época, as elites europeias, pela primeira vez na História, gradualmente se tornaram mais simpáticas à atividade do comerciante e do industrialista, que até então fora visto como indigno, mesquinho ou demasiado mundano. E a consequência fatal: passou-se a ser tolerada, e eventualmente incentivada, a atividade inventiva e empreendedora; a empreitada dos que ousavam inventar novas máquinas e adotar novos métodos de produção. Foi o que permitiu o “Grande Enriquecimento”, como McCloskey chama: fenômeno a partir do qual a Europa, e posteriormente o mundo, viu uma explosão na riqueza material. McCloskey discorre sobre um ambiente intelectual no qual os indivíduos são vistos como fonte de criatividade, e a sua capacidade de simplesmente experimentar (“to have a go”, como costuma repetir), vista como sagrada e inviolável.

 

Transexualidade

Se essa defesa tão contemporânea e brilhante do liberalismo não é suficiente para retratar o destaque dessa economista no mundo liberal, um elemento adicional coloca-a no rol das mais grandiosas e inusitadas defensoras da liberdade. McCloskey colocou suas ideias em prática, quando decidiu transicionar de sexo em 1995, aos 53 anos – uma época em que a transexualidade e a transgenereidade eram mais vistos como patologia do que como identidade de gênero. Em diversas entrevistas, conta sobre as dificuldades advindas do preconceito à sua decisão. E é categoricamente poética: necessitava transicionar para que “se aproximasse da sua própria alma”. 

Acadêmica transsexual, Deirdre McCloskey vive suas ideias em seu dia-a-dia, e defende os direitos das pessoas LGBTI através de um viés da liberdade. Há de se criar um ambiente social e intelectual condizente à criatividade, em que os indivíduos sejam permitidos a experimentar, e onde a diversidade gere a criatividade; que, por sua vez, gere as ideias e as invenções que enriquecem a todas as pessoas. Uma sociedade verdadeiramente livre valoriza a sua diversidade de experiências; e, assim o fazendo, não só constrói a prosperidade geral, mas aproxima todos os indivíduos da sua plenitude e felicidade.  

 

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