Quem é Livres por inteiro não apoia nem o PT, nem Bolsonaro. Se você acompanha o nosso trabalho, certamente não terá nenhuma surpresa com esta nota.

Sempre fizemos oposição ao governo do PT. O PT é o partido da fraude fiscal e do uso sistêmico da corrupção como instrumento de sabotagem da democracia. Todos nós, brasileiros e brasileiras, ainda vivemos os efeitos nefastos do desastre econômico e do discurso de ódio insuflado durante anos por quem não aceita as regras do jogo democrático. Para o PT, democracia é quando o PT vence, não importa como; e golpe é quando o PT perde, mesmo se respeitadas todas as regras. Um reflexo dessa postura é expresso não somente pela incapacidade de condenar a ditadura brutal que ocorre na Venezuela neste momento, como também nas tentativas de deslegitimação das instituições e na ventilação de propostas como nova constituinte e regulação da mídia. Nossa oposição ao PT é histórica, e nos levou às ruas para tirá-los do poder.

Sempre fizemos oposição a Bolsonaro. Bolsonaro é um deputado que simboliza o baixo clero da velha política, tendo usufruído de todos os privilégios em meio a sua absoluta improdutividade durante 28 anos de mandato no Congresso. Bolsonaro votou errado em todas as questões mais importantes para o país. Contra o Plano Real, contra a quebra de monopólios, contra o fim do nepotismo, mas sempre a favor de aumentos para o funcionalismo. Em seu voto pelo afastamento da ex-presidente Dilma, homenageou um notório torturador, uma de suas tantas declarações em apoio à ditadura e ofensiva aos direitos humanos e às liberdades individuais mais básicas. Nossa oposição a Bolsonaro é histórica, e nos levou a sair do PSL pela porta da frente quando ele tomou o partido pela janela.

No primeiro turno dessas eleições presidenciais, já não apoiamos nenhuma candidatura, mas contribuímos através de nossos conselheiros acadêmicos com a construção de programas de governo que se colocavam dentro do espírito democrático. No segundo turno, ambas as candidaturas se situam muito longe da construção de um Brasil mais livre como gostaríamos de ver. Escolher expressar apoio entre uma ou outra seria sacrificar a nossa convicção em defesa da liberdade por inteiro, valor essencial que nos une como movimento.

Entendemos a delicada posição em que estão todos os brasileiros diante da difícil escolha que precisa ser feita no próximo dia 28 de outubro. Individualmente, de acordo com cada consciência, o voto de cada um precisa ser respeitado.

O amadurecimento da democracia não ocorre com xingamentos e hostilidades à diversidade de pensamento. Nesse contexto, os eleitores nem são necessariamente fascistas, nem necessariamente cúmplices da corrupção.

Não podemos nos acostumar com essa gama de escolhas. O nosso trabalho diário é para que não precisemos jamais voltar a submeter os brasileiros a terem que fazer uma opção tão triste, entre quem causou o desastre em que vivemos hoje e quem tem saudades dos desastres do passado.

Precisamos incentivar o diálogo democrático e civilizado para a construção de alternativas futuras que sejam realmente comprometidas com a liberdade.

Por isso, não importa quem vença, a nossa bancada da liberdade terá uma atuação de independência em relação ao governo, sempre atuando em favor do país, em defesa das liberdades individuais (seja na economia ou nos costumes) e pelo avanço das reformas tão necessárias para o nosso futuro.