Quem foi Antonieta de Barros
Antonieta de Barros, filha de ex-escravizados, nasceu em 11 de junho de 1901, em Desterro — nome antigo da atual Florianópolis (SC). Seu pai faleceu quando ela ainda era muito jovem, e sua mãe, lavadeira, foi fundamental para garantir que a filha tivesse acesso à educação.
Foi durante o trabalho da mãe na casa do político Vidal Ramos que Antonieta foi alfabetizada aos cinco anos, dando início a uma trajetória marcada pelo conhecimento e pelo compromisso social.
Desde cedo, Antonieta compreendeu a educação como instrumento de transformação pessoal e coletiva. Em 1922, fundou o Curso Particular de Alfabetização Antonieta de Barros, escola voltada para ensinar adultos e crianças, principalmente os mais pobres, em uma época em que o acesso à educação era extremamente limitado no Brasil.
“Educar é ensinar os outros a viver; é iluminar caminhos alheios; é amparar os debilitados, transformando-os em fortes.”
— Antonieta de Barros
Antonieta de Barros e sua atuação cultural e literária
A trajetória de Antonieta não se limitou às salas de aula. Em 1925, ela participou da fundação do Centro Catarinense de Letras (CCL), tornando-se membro da diretoria.
Foi nesse período que começou a se destacar como jornalista e escritora, publicando artigos e crônicas sob o pseudônimo “Maria da Ilha”. Com esse nome, fundou o jornal A Semana, que discutia temas como educação, cultura, política e emancipação feminina.
Seu trabalho literário não apenas promoveu o debate público, mas também abriu espaço para a voz de mulheres em um cenário majoritariamente masculino.
Primeira deputada negra do Brasil
Em 1932, com a legalização do voto feminino no Brasil, Antonieta enxergou a oportunidade de ampliar sua luta por meio da política.
Dois anos depois, em 1934, candidatou-se pelo Partido Liberal Catarinense e foi eleita deputada estadual, tornando-se a primeira mulher negra a ocupar um cargo legislativo no Brasil. No cargo, Antonieta trabalhou incansavelmente na Comissão de Educação e Justiça, defendendo pautas como:
- Ampliação da alfabetização popular, combatendo o alto índice de analfabetismo.
- Valorização dos professores e profissionalização do magistério.
- Educação inclusiva, visando oportunidades para mulheres, negros e pessoas em situação de vulnerabilidade social.
- Promoção de políticas públicas voltadas para a igualdade racial e de gênero.
Mesmo com as responsabilidades políticas, ela continuou lecionando e escrevendo em jornais, mostrando que sua missão principal era sempre a educação.
Antonieta de Barros e a criação do Dia do Professor
Uma das maiores conquistas de Antonieta de Barros foi a instituição do Dia do Professor em Santa Catarina. Por meio da Lei nº 145/1948, ela oficializou a data como forma de reconhecer a importância do trabalho docente.
Vinte anos depois, em 1963, a celebração foi adotada em nível nacional, consolidando o 15 de outubro como data oficial para homenagear os educadores em todo o Brasil. Graças a essa iniciativa, Antonieta permanece presente na vida de milhões de brasileiros que celebram os professores anualmente.
O legado político e social de Antonieta de Barros
Antonieta é considerada uma pioneira na luta por igualdade racial e de gênero no Brasil.
Seu trabalho se destacou não apenas pela inovação, mas também pelo coragem em um cenário dominado por preconceitos. Em uma época em que mulheres negras tinham pouquíssimas oportunidades, ela mostrou que a educação e a política são ferramentas de transformação social.
Seu legado pode ser resumido em três pilares:
- Educação popular: alfabetização como base para a cidadania e liberdade.
- Igualdade racial e de gênero: luta contra a discriminação e defesa dos direitos das mulheres.
- Participação política: incentivo à presença de mulheres e negros em espaços de poder.
Mesmo após o término de seu mandato, Antonieta seguiu influenciando gerações por meio de seus textos, projetos educacionais e liderança comunitária.
Principais obras e leituras sobre Antonieta de Barros
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Farrapos de Ideias – coletânea dos principais artigos escritos por Antonieta, publicada originalmente com o objetivo de arrecadar fundos para a construção de uma escola para leprosos no leprosário Colônia Santa Tereza.
Acesse gratuitamente aqui (Biblioteca Digital do Senado Federal). -
Antonieta de Barros: professora, escritora, jornalista, primeira deputada catarinense e negra do Brasil, de Jeruse Romão – livro biográfico que detalha sua vida e obra.
Disponível na Amazon. - Acervo histórico – documentos digitalizados estão disponíveis no portal Memórias da Educação Brasileira.
Por que Antonieta de Barros continua atual
As lutas de Antonieta de Barros ecoam nos debates contemporâneos sobre:
- Educação pública de qualidade, ainda um desafio no Brasil.
- Representatividade política, com a necessidade de mais mulheres e pessoas negras em cargos de liderança.
- Valorização dos professores, especialmente em tempos de crise educacional.
- Combate ao racismo e à exclusão social.
Antonieta é símbolo de resistência e inspiração, provando que a educação é a base para uma sociedade mais justa e livre.
Série Pequenos Guias Sobre Grandes Liberais
Este texto faz parte da série Pequenos Guias Sobre Grandes Liberais, produzida pelo Livres. O objetivo é apresentar, em poucos minutos de leitura, a vida e as ideias de figuras históricas que defenderam a liberdade, oferecendo dicas de leitura e links para materiais gratuitos. A série busca inspirar novas gerações, mostrando como a defesa da educação, da igualdade e da liberdade continua fundamental para os desafios do Brasil atual.