O jeito como uma cidade é desenhada, bancos, calçadas, praças, decide, na prática, se esse espaço acolhe ou ignora a criança pequena. O desenvolvimento infantil não depende só de escola ou creche, depende também do ambiente urbano ao redor.
Mogi das Cruzes: uma política pública, não um projeto isolado
Em dezembro de 2022, o prefeito Caio Cunha, Líder Livres, lançou oficialmente o programa Mogi Cidade da Criança, uma política pública intersetorial que integra urbanismo, educação e saúde voltada especificamente para crianças de zero a seis anos. Diferente de uma ação pontual, o programa nasceu como estrutura permanente de governo, capaz de orientar decisões de diferentes secretarias em torno das necessidades da primeira infância.
O programa ganhou validação externa em sequência. Em julho de 2021, Mogi das Cruzes aderiu à Rede Urban95, iniciativa internacional da Fundação Bernard van Leer que ajuda cidades a repensar seu desenho urbano a partir da altura de 95 centímetros, a altura média de uma criança de três anos. Em setembro de 2023, o município entrou na Rede de Cidades das Crianças, que reúne 200 cidades em 15 países ao redor do mesmo objetivo. No mesmo ano, o programa recebeu o Prêmio InovaCidade, do Instituto Smart City Business America, reconhecimento nacional de que a experiência tem qualidade replicável.
Por que isso importa
Tratar a primeira infância como prioridade urbana, e não apenas escolar, parte da mesma lógica que orienta a agenda mais ampla do Livres para essa fase da vida: a janela de desenvolvimento dos primeiros seis anos não se repete, e cada ambiente que a criança pequena atravessa, seja a creche, a escola ou a rua em frente a casa, tem impacto sobre como esse potencial se realiza.
Mogi das Cruzes mostra que essa prioridade pode ser tratada como política de Estado, testada, avaliada e premiada, em vez de ficar restrita a um único mandato ou secretaria. É esse tipo de estrutura permanente que sustenta resultados de longo prazo, e não apenas um gesto isolado de uma gestão específica.