Muitas doenças raras e situações de risco na primeira infância só se tornam graves porque ninguém as identificou a tempo. O Livres atua em duas frentes diferentes para mudar isso: uma que amplia o diagnóstico precoce logo nos primeiros dias de vida, outra que prepara adultos para identificar e agir diante de sinais de violência contra a criança.
Curitiba: de 6 para 50 doenças identificadas no teste do pezinho
Em Curitiba, o teste do pezinho, exame obrigatório feito nos primeiros dias de vida do bebê, identificava apenas 6 grupos de doenças raras. A vereadora Amalia Tortato, Líder Livres, apresentou o projeto que se tornou a Lei Heitor e Henry, ampliando a triagem para até 50 doenças, classificadas em nove grupos diferentes. O exame é realizado pela Fundação Ecumênica de Proteção ao Excepcional (Fepe), única instituição no Paraná credenciada pelo Ministério da Saúde para o Programa Nacional de Triagem Neonatal.
Em 2025, Amalia Tortato destinou a maior emenda individual de seu mandato ao Orçamento de Curitiba, R$ 220 mil para a própria Fepe, ajudando a fundação a cumprir a ampliação prevista na lei. Diagnosticar mais cedo significa, na prática, começar o tratamento antes que uma doença genética ou metabólica cause sequelas permanentes.
Alagoas: preparar quem já convive com a criança
Em Alagoas, a deputada estadual Cibele Moura, Líder Livres, atacou um problema diferente: muitos casos de violência sexual contra crianças não são identificados a tempo porque os profissionais que convivem com elas, professores, agentes de saúde, assistentes sociais, não recebem capacitação específica sobre o tema. A Lei 9.594/2025, sancionada em julho, institui diretrizes para a criação de treinamento obrigatório sobre violência sexual e prevenção ao abuso, incluindo a violência virtual, com carga horária mínima de 8 horas iniciais e reciclagem anual de 4 horas.
A capacitação é obrigatória para trabalhadores de instituições públicas e opcional para os vinculados a instituições privadas, desde que tenham contato direto ou indireto com crianças e adolescentes.
Por que isso importa
Os dois casos atacam o mesmo problema estrutural por ângulos diferentes: o custo de não identificar um risco a tempo, seja ele genético ou seja ele social, é sempre maior do que o custo de agir antes. Diagnóstico precoce e capacitação de quem cuida da criança no dia a dia são, na prática, a mesma aposta: prevenir é mais barato e mais eficaz do que remediar.