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Doutor em economia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). É professor titular e chefe do deptartamento de economia da Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

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Uma anedota muito popular nas redes sociais brasileiras diz o seguinte:

Um Padre ligado a Ação Pastoral da Terra (APT) está visitando um acampamento do Movimento dos Sem Terra (MST) e indaga a um assentado: “Oh, companheiro, se vossa pessoa tivesse a posse de um milhão de reais, você dividiria com seus outros companheiros de assentamento?”. O assentado afirma: “claro que sim, seu Padre”.

O Padre então pergunta novamente: “E se vossa pessoa tivesse um apartamento de luxo na Avenida Beira Mar de João Pessoa? Também dividiria?”. O assentado responde novamente: “claro que sim, reverendo!”.

Aí o Padre resolve diminuir o valor das posses e pergunta, “E se você tivesse duas galinhas, você daria uma para sua comunidade?”. O assentado retruca de forma veemente: “dava não, seu Padre!”.

O Padre, surpreendido, retruca: “Por que não? Você dividiria posses tão valiosas e não faria o mesmo com uma galinha?”. O assentado diz: “Seu Padre, é porque as galinhas eu tenho!”

Esta anedota espelha incrivelmente bem como nossos socialistas agem. No discurso, defendem os menos favorecidos, excluídos e rejeitados. Desejam que aconteça na sociedade brasileira um processo de redistribuição de propriedades e rendas. Desde que não sejam as deles, e sim as de outrem.

O que caracteriza a sociedade brasileira é sua imensa desigualdade, principalmente de oportunidades. A desigualdade de renda é consequência da desigualdade de oportunidades. A justiça social é a condição de igualdade na saída para a vida. O desenrolar da vida de alguém vai depender de cada um, de sua sorte, diligência e capacidade de inovar. A igualdade, principalmente, é dar condições iniciais condizentes e iguais a todos os cidadãos do Brasil, independente de sexo, classe, religião, etnia, cor, etc. É dar para aqueles com menores condições a oportunidade de ter um emprego no futuro que garanta uma renda suficiente para se ter uma vida plena.

Então, se nossos socialistas são a favor de justiça social, devem empreender políticas que deem mais igualdade de oportunidades. Isto deve necessariamente começar pela educação igualitária e de qualidade. Será que fazem isso?

Tenho dúvidas. Nossos socialistas lutam para que o sistema educacional mude o nosso léxico. Para alguns deles, é essencial que não existam as palavras com marcações de gênero, como “meninos” ou “meninas”, mas “meninxs”. O fim da desinência de gênero será a redenção das classes oprimidas, vai garantir o aumento da empregabilidade dos menos favorecidos, contribuirá para um ganho significativo de produtividade e, por conta disto, um aumento de salários e rendas.

Enquanto isto, o Brasil coleciona resultados vexatórios na educação. No fim do ano passado foi divulgado o resultado da última edição do PISA, o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes. O Brasil foi contemplado com uma colocação entre as vintes piores dentre 79 países avaliados. Em ciências, ficamos na 67ª posição; em matemática, 71ª colocação; em leitura, na 58ª.  Metade dos alunos que realizaram a prova simplesmente não entende o que lê.

Entre aqueles, 68% não atingiram o nível 2 do teste. Isso significa que não conseguem interpretar e executar procedimentos básicos seguindo orientações diretas. Dito de outra forma, não sabem ler e executar um manual. Continuando, 50% tem problemas de interpretar informações e entender contextos. Ou seja: não conseguem entender notícias de jornal. Os testes foram realizados em 2018 e os resultados são apenas ligeiramente melhores do que a edição de 2015. Na educação, estamos perpetuando a desigualdade ad infinitum.

Mesmo assim, nossos socialistas acham que o caminho a seguir é aprofundar o método que existe hoje e que já se mostrou falido. Para eles, tudo se resolve combatendo a escola sem partido. Ensinar matemática, física e química vira um instrumento de dominação se a aula não for usar a metodologia de Paulo Freire. Uma perda de tempo enorme e uma condenação de gerações de jovens a continuarem oprimidos, sem oportunidades.

No tocante à distribuição de renda também temos pérolas socialistas. Recentemente, o governador de Pernambuco, o senhor Paulo Henrique Saraiva Câmara, do Partido Socialista Brasileiro (PSB), encaminhou à Assembleia Legislativa do Estado de Pernambuco um projeto de lei que altera as alíquotas de contribuição previdenciária dos servidores públicos.

Naquele projeto, a contribuição passa de 13,5% para 14% de forma linear. Detalhe: o PSB criticou fortemente a reforma da previdência proposta pelo governo federal. Segundo o discurso do governador, a reforma federal atingia de forma mais forte os indivíduos de renda menores. A reforma da previdência federal, de um governo de direita, estabeleceu a alíquota de 14% de contribuição, mas de forma diferenciada, começando de 7,5% para quem ganha um salário mínimo, 9% para aqueles que ganham até R$ 2.000,00, indo até 22% para quem recebe proventos além do teto salarial do governo federal.

No Estado de Pernambuco, de um governo socialista, não existiu a preocupação de tornar a contribuição previdenciária menos pesada para os mais desfavorecidos. Seria uma grande oportunidade de mitigar a desigualdade de renda. Sabe por que tanta preocupação com justiça social com a reforma federal e nenhuma com a reforma estadual? A resposta é igual a do assentado acima: a receita proveniente da reforma federal não é de responsabilidade de governador de Pernambuco, mas a receita da reforma do estado é, e esta não pode ser objeto de redistribuição.

Viva os socialistas brasileiros.