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Não há saída, digo que não há mais saída. É impossível que possamos sobreviver a isso, não há saída. A cidade do Rio de Janeiro pode ter resistido bravamente, mas creio que é o limite.

Nem nosso Cristo Redentor nos redimirá de erro tão crasso quanto o que cometemos. Os políticos que elegemos e que hoje nos cercam são de longe os piores que já tivemos, em várias esferas e poderes diferentes.

Não bastasse a atitude ensandecida e autoritária do Bispo Crivella ao simplesmente e literalmente passar o trator nos postos de pedágio da Linha Amarela, uma das principais vias do município, mesmo antes do fim do contrato de concessão e desacatando decisão judicial, outra sandice ocorre sobre o mesmo tema.

Em uma atitude tão infantil que se parecia mais com uma anedota de um livro de piadas para crianças do saudoso Ari Toledo, o vereador da cidade do Rio de Janeiro, Marcelino D’almeida, agiu como um aluno de ensino fundamental e não como um parlamentar.

Em votação na Câmara de Vereadores da cidade maravilhosa, Marcelino, eleito com mais de 40 mil votos, se recusou a ser o número 24 da lista de votação, ficando mudo na sua vez e não proferindo o voto, apenas em segunda chamada. A situação se repetiu mais uma vez, na segunda votação do dia sobre o tema.

Para os que não sabem, o número 24 é relacionado ao veado no jogo do bicho, ilegal e muito popular no Rio. Além de altamente infantil e contraproducente, a ação tem sim caráter homofóbico. Se a masculinidade do vereador pode ser ferida com a citação de um número sendo ligado ao seu nome, talvez o parlamentar não esteja tão seguro de si como gostaria.

Por isso vejo minhas esperanças se esvaírem. Como chegamos nesse ponto? Involuímos como sociedade sem que percebamos. Nossos representantes apresentam níveis baixíssimos de comprometimento com a seriedade que o cargo lhes obriga. Hoje nem o Cristo nos redime por termos votado tão mal e entregado sem pestanejar a cidade que tanto ama para a corja mais pueril e incapacitada da história. O purgatório da beleza e do caos se torna a cada dia, purgatório apenas do caos e da desordem. O que é belo foge via aeroportos, ou é dinamitado com escárnio pelos pseudo-conservadores e fiscais da moral alheia.

Com o tempo só sobrará o que é caricato, feio, decadente e vil. Berro aos cariocas e aos de alma carioca. Grito para os demais povos do meu Brasil. Salvem o Rio pois ele merece, salvem a baía de Guanabara e o carnaval da Sapucaí, salvem o morro e o nosso funk e o nosso samba. Lutem vocês comigo porque, acreditem ou não, somos governados por imaturos e juvenis.