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Bacharel em Turismo, tecnólogo em Marketing e estudante de Comércio Exterior. Entusiasta das trocas entre os seres humanos e da capacidade criativa do indivíduo, dedica-se ao estudo da cultura e sua influência na sociedade, além dos benefícios da aplicação da teoria libertária no setor turístico.

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Você já se perguntou como o país de Machado de Assis, Elis Regina, Tarsila do Amaral e de tantos outros artistas não possui uma população que admira e consome toda sua riqueza cultural? O presente artigo propõe uma reflexão de viés libertário sobre a dinâmica cultural que perpassa o território brasileiro, com o intuito de conduzir a arte para as massas e fazê-la absorver todos os benefícios que o trabalho artístico pode promover.  

Primeiramente, os seres humanos são diferentes e, por isso, precisam de métodos exclusivos. A excessiva carga tributária, estabelecida a partir das mais belas intenções, retira o poder de consumo de um país cuja população é predominantemente de classe média, e, consequentemente, as condições básicas para que a própria pessoa explore o caminho cultural mais adequado a ela, seja o violão, dança ou teatro.

Um instrumento musical possui diversas possibilidades de ritmo e cada um tem uma linguagem específica para ser tocado, a dança tem seus diferentes tipos e que são construídos a partir de movimentos muito particulares, o teatro tem uma série de linhas de expressão e que são proporcionais ao tipo de atuação que se pretende desenvolver. O indivíduo jamais deve ser privado das condições financeira para acessar as informações mais pertinentes, seja por meio de um livro, vídeos ou apoio profissional, da forma que ele achar mais conveniente e de acordo com suas inclinações e convicções. 

Quantos desses talentos são desperdiçados a partir de boas intenções? Um talento deve ser sempre estimulado e a busca pela excelência deve ser tratada como uma prática constante, caso contrário, torna-se puramente uma habilidade. Existem muitos seres humanos habilidosos, mas poucos deles podem ser realmente talentosos. 

A cultura acabou sendo construída de forma elitizada e com um vocabulário rebuscado, algo distante de grande parte da população e o povo despreza aquilo que não entende por achar que não lhe pertence. A educação é o único meio pelo qual o indivíduo desenvolve a sensibilidade necessária para absorver todo tipo de conhecimento que aquele artista buscou transmitir através do quadro que ele oferece, da música que ele compõe ou da atuação que ele expressa. 

O consumo da beleza, do requinte e do método não exige altas despesas financeiras, já que a arte se manifesta de forma delicada, quase imperceptível, em muitos gestos e signos ingênuos do cotidiano das trocas humanas. Quando explorados de forma inteligente e eficiente, podem inspirar e provocar a ponto de despertar o desejo pela pesquisa, estudo e análise. Um sotaque, por exemplo, transmite, de forma simultânea, a história, geografia e filosofia de uma região. Mais do que isso, quando ele é acompanhado por uma vestimenta particular e exclusiva, envolve a cultura, o clima e as práticas diárias de uma localidade.

Esse exercício e capacidade analítica deve ser proporcional às capacidades do ser humano e apenas ele se entende por inteiro, somente o próprio indivíduo sabe o que é melhor para si. Nenhum grupo político eleito jamais teve a capacidade de desvendar a individualidade. Uma obra densa deve ser sempre acompanhada por um largo repertório construído a partir do seu próprio autoconhecimento. Tentar adiantar as etapas de uma jornada de aprendizado é tão ineficiente quanto ensinar a um jovem uma equação de segundo grau antes mesmo dele entender o que é uma tabuada. 

As políticas de fomento em si deveriam estimular a demanda ao invés da oferta, considerando que o objetivo delas é justamente encaminhar os artistas e o setor para uma sociedade em que elas não precisem mais existir. Além disso, com mais amantes da cultura, teríamos mais profissões diferentes especializadas e trabalhando na arte, como administradores, economistas, advogados e contadores. Diversificando as funções e os profissionais, cria-se mais e com um respaldo multidisciplinar. É o poder de unificar indivíduos diferentes com talentos e experiências distintas em pró do mesmo objetivo e da mesma atividade.

Partindo desse princípio, em que o indivíduo assume a condição de fomentador cultural, seria irresponsável não tratar do ofício desempenhado pela iniciativa privada de impulsionador da atividade. Visto que, através das inovações desenvolvidas no meio empresarial e comercial, inúmeros meios tecnológicos e diferentes plataformas promovem obras densas e artistas profundos, por meio de uma combinação envolvendo som, imagem e vídeo, e estimulando a rentabilidade financeira do setor criativo, oferecendo um caráter mercadológico de alto alcance e grande influência. 

Mais do que isso, é de extrema importância que os profissionais e os admiradores busquem desvincular a criatividade do que se entende como Estado, já que sujeitar o setor cultural aos desejos e apresso do político é uma aposta irresponsável considerando que envolve vidas, comida e todas as pessoas ligadas direta ou indiretamente ao mercado cultural. Jamais se deve vincular a poesia à uma única caneta.

Para isso, é preciso demonstrar que o Estado foi responsável pelas maiores perseguições à liberdade criativa na história da humanidade e justamente com o objetivo de alimentar o próprio poder e o privilégio de seus aliados.

Os nazistas perseguiram e mataram obras vanguardistas, consideradas repulsivas, degeneradas e totalmente incompatíveis com o ideal de nação exposto pelo partido nacional-socialista, com o intuito de sobrepor suas próprias criações e promover socialmente seus discursos hórridos. Já os comunistas utilizaram dos ideais marxistas para abominar e destruir quaisquer produções, tratando-as como parte de uma estrutura vil que visava estimular um sistema econômico opressor e seu modo de exploração desprezível.

Em território nacional, o período da ditadura militar também expos como um governo ilimitado e completamente absoluto utilizava da censura e da força para se proteger. Inúmeros artistas foram cruelmente perseguidos e violentamente assassinados ao longo dos mais de vinte anos de opressão. Tudo aquilo que foi construído por esses profissionais foi abominado ou estritamente controlado. Muitos foram exilados, já outros tiveram suas trajetórias enterradas e acabaram sendo esquecidos.

Os poderosos sempre temeram o romantismo, a sensibilidade e as possibilidades que a criação, a estética e a paixão podem realizar. O produtor cultural deve sempre questionar o sistema, jamais ser parte ou conivente com ele.

Precisamos defender a descentralização dos recursos e que o poder ter e ser seja apenas do indivíduo, assim, eles não serão conduzidos apenas por um grupo com objetivos específicos e de forma que beneficie apenas determinadas pessoas e seus ideais. Um partido, por mais que ele tenha sido eleito, jamais deve ser considerado espiritualmente puro ou eticamente justo para definir o que é arte ou não.

O objetivo do presente discurso jamais foi criticar os artistas ou os métodos escolhidos por eles para compartilhar aquilo que fazem, mas mostrar que os criativos e tudo aquilo que é construído com intensidade e perspectiva merecem muito mais. Valorizar a arte é respeitar tudo aquilo que o ser humano já foi ou fez e inspirar tudo que ele pode vir a ser.