Associada de Mentoria do Students For Liberty Brasil, estudante de Economia e associada Livres Associada de Mentoria do Students For Liberty Brasil, estudante de Economia e associada Livres

Durante este tempo pesquisando e abordando questões de gênero, percebi que eu e outros liberais temos criticando muito soluções tipicamente atribuídas ao feminismo de esquerda. Claro, é importante que medidas pouco eficazes como cotas femininas sejam rechaçadas. Mas essa é uma pequena parte do trabalho que temos pela frente. Não basta apenas criticar as más ideias; além de incentivar e entender o que geram boas soluções, devemos dar visibilidade as elas.

Nesse espírito, descobri que no Brasil já temos algumas boas iniciativas, lideradas por mulheres, que buscam resolver questões relacionadas a discriminação de gênero. Ao invés de esperar pela boa vontade dos políticos ou do poder público, elas tomaram para si a responsabilidade de ajudar outras mulheres a alcançar a autonomia desejada. Analisando a trajetória delas, é possível observar que o ambiente de negócios e o apoio da família são peças-chave para que mais iniciativas surjam.

Um exemplo é a empresária e idealizadora da Rede Mulher Empreendedora, Ana Fontes. Ela aponta que, como sabemos, muitas mulheres abdicam da carreira ou de empreender para se dedicar à família. Por isso, para ela, ser organizada e buscar o apoio de familiares, sem culpa, quando é preciso se ausentar da casa, é fundamental. Afinal, a vantagem de ter o próprio negócio é a possibilidade de administrar o tempo e ficar com o filho quando ele estiver doente, por exemplo. Por causa de dificuldades como essa, Ana Fontes criou a Rede Mulher Empreendedora, que possui cerca de 300 mil membros cadastrados e que promove eventos de networking, cursos, mentorias e fomenta o comércio entre mulheres donas de pequenos negócios. Com mais mulheres empreendendo, teremos mais empregos, mais renda e um desenvolvimento mais homogêneo no país.

Outra iniciativa que se utiliza do mercado para promover bem-estar para as mulheres é a Women Friendly. Essa startup fornece treinamento e certificação para empresas contra assédio sexual, seja contra clientes ou funcionárias. A fundadora, Ana Addobbati, decidiu utilizar sua experiencia, de mais dez anos de carreira corporativa, para entender como criar ambientes profissionais mais seguros, garantindo uma relação em que todos ganham. Segundo ela, mulheres são geralmente encaradas como menos produtivas, menos propensas a riscos ou menos resilientes. Ana acredita que o meio empreendedor permite às mulheres mais flexibilidade para que desenvolvam um ambiente de liderança menos hostil.

Já a diretora do aplicativo Mete a Colher, Lhaís Rodrigues, é menos otimista: ela acredita que a pequena participação feminina no mundo do empreendedorismo dificulta o surgimento de outras iniciativas que buscam resolver questões de gênero. Na criação dessa iniciativa, o ambiente majoritariamente masculino dificultou seu processo de evolução, mas não o suficiente para sufocar o projeto. Hoje, o Mete a Colher permite que as usuárias peçam ou ofereçam orientação jurídica, apoio ou mesmo oportunidades de trabalho para quem precisa de independência financeira para sair de um relacionamento abusivo.

Esses são alguns exemplos que ilustram bem o que pessoas, não só mulheres, podem fazer para resolver problemas sociais que lhes são caros. Para isso, é importante que líderes sociais gastem sua energia também promovendo iniciativas individuais que ajudam efetivamente as pessoas. Só a partir dos esforços dos próprios grupos sociais teremos um ambiente empreendedor mais diverso e plural.

Sabemos que empreender e buscar soluções que melhorem as vidas das pessoas não é um tarefa fácil. Especialmente no Brasil, onde a burocracia e a insegurança dificultam a sobrevivência de bons projetos. Então, ao passo que exigir do Governo a resolução de demandas de grupos específicos tem se mostrado um caminho inefetivo, cada vez mais temos visto que a própria sociedade tem conseguido, aos poucos, contribuir nesse processo de buscar e implementar soluções. Para que isso seja mais frequente, basta que o Estado deixe de criar barreiras, tornando possível a inovação e crescimento do indivíduo a partir dos próprios talentos.