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Formada em direito pela PUC-SP, MBA em gestão empresarial pela Fundação Getúlio Vargas e LL.M. em direito internacional pelo Graduate Institute of International and Development Studies em Genebra. Possui 8 anos de experiência em direito societário, mercado de capitais e operações financeiras, focado em empresas do agronegócio. É coordenadora da setorial de Agronegócio do Livres.

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O governo francês anunciou um plano de 100 milhões de euros para incentivar um programa de desenvolvimento agrário que permita que seu país reduza a dependência da soja importada, incluindo a soja brasileira. Conforme o anúncio apresentado pelo Ministro da Agricultura, Julien Denormandie, ele quer acabar com a importação de soja ligada ao desmatamento e, para isso, quer que a leguminosa seja cultivada em seu país. Vamos lembrar que a França importa 3,3 milhões de toneladas de soja ao ano, sendo os principais exportadores do grão o Brasil e Estados Unidos.

Não obstante ao anúncio de um plano financeiro para o incentivo da produção no país, a França pretende zerar a importação de produtos não sustentáveis até 2030.

Se o país europeu quer uma soja sustentável, então por que não continuar comprando do Brasil? Até porque temos de fato um agro sustentável. Por que começar um programa de subsídio?

Vamos lembrar que 2020 todos os países foram afetados pela pandemia do COVID-19 o que levou a uma desaceleração de muitos setores da economia, desemprego e crise. Seria mesmo coincidência?

Conforme regras da OMC é possível criar barreiras comerciais para proteger o meio ambiente. Mas estaria mesmo esse país europeu pensando nisso? Ou apenas querendo proteger seus produtores? Criar novos empregos? Tentar subsidiar seus agricultores?

Se a França quer uma soja sustentável, por que não comprar a nossa? Ora, se a questão é sustentabilidade, vamos lembrar que temos um Código Florestal extremamente rígido e, diferente da lei francesa, obriga nossas propriedades a terem uma reserva legal.

Acho que aqui vale comentarmos que o Brasil ainda mantém 66% de sua vegetação nativa, sendo que 25% de toda a área protegida estão dentro das propriedades rurais. O cultivo de soja representa apenas 4% de todo o território nacional. Além disso, apenas 1% do cultivo se encontra no bioma amazônico.

Temos leis fortes que protegem o trabalhador do campo. Temos leis ainda mais rígidas em relação ao uso de defensivo e o descarte dos materiais. Vale lembrar também que somos o país que mais recicla embalagens de defensivos agrícolas do mundo.

Estaria então esse país europeu pensando na emissão de gases do efeito estufa? Então por que não olhar para nossas plantações com baixa emissão de carbono? Por que não olhar para a plantação de soja através de integração lavoura pecuária floresta?

Se a França quer uma soja sustentável, por que não comprar a nossa? Que é mais competitiva? Dessa forma teria uma relação de ganha-ganha. Eles recebem uma soja mais barata, uma matéria-prima mais barata. Nós? Continuamos a sermos os líderes na exportação desse produto, geramos empregos e arrecadamento de impostos.

Seria então para não incentivar novas áreas para a cultura? Com certeza não, não precisamos. Estamos conseguindo aumentar nossa produtividade sem a expansão de novas áreas, através do uso de tecnologias.

Então, por que não comprar uma soja brasileira rastreada? Sim meu caro, você leu certo. Temos produtos rastreados que comprovam que eles não são provenientes de área de desmatamento ilegal.

Mas não, a França quer ser sustentável e incentivar a plantação da soja em seu próprio país. Um país que não conseguem ter os mesmos números que apresentamos. A França quer subsidiar um cultivo. Seria mesmo sustentabilidade ou seria um protecionismo disfarçado?

Assim como nem tudo o que reluz é ouro, nem toda preocupação francesa é realmente com a sustentabilidade.