Graduando em Ciência política, é educador politico do Politize e coordenador estadual do Livres no DF. Graduando em Ciência política, é educador politico do Politize e coordenador estadual do Livres no DF.

Siga nas redes sociais

O tema da prova do ENEM deste ano foi: “manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet”. Fácil, né? Você deve ter percebido que a GloboNews falou muito disso, ou seus professores no colégio particular te avisaram, no cursinho te alertaram. Pode ser que você seja simplesmente antenado em debates e discussões a respeito da manipulação de dados e como ela interfere (ou pretende interferir) nas nossas escolhas individuais. Acontece que você faz parte de uma parcela privilegiada da população.

De acordo com uma pesquisa encomendada pela internet.org-uma iniciativa criada pelo facebook, mais de 70 milhões de brasileiros não possuem acesso á internet. Os números assustam ainda mais quando colocamos a lupa no ensino público, o qual apenas 28,3% das escolas possuem rede de internet, ou seja, majoritariamente, os estudantes periféricos, mais pobres, que dependem do ensino público, sofrem com precariedades e a ausência de um Estado que se impõe como paternal, mas na verdade, é um ente que perpetua a lógica de desigualdade do acesso educacional às universidades públicas.

Este é um retrato de como os burocratas engravatados não entendem muito da realidade brasileira, e pior, não estão interessados em resolver o sistema. Aliás, neste sistema, o Estado segrega ao botar um tema tão elitista, provocando e legitimando a desigualdade de oportunidades, tirando a equidade de argumentação, por exemplo, da jovem de Manaus que viajou 3 dias de barco com a mãe para fazer o ENEM, da trans moradora de rua que por ser apaixonada em literatura decidiu fazer a prova ou simplesmente de 71,7% dos estudantes públicos que nunca tiveram acesso na escola.

Parece ser uma boa hora para discutirmos novos modelos educacionais, que amparem as demandas cognitivas dos indivíduos, que criem um ambiente próspero, que também potencialize suas habilidades e o mais importante, que seja um ambiente emancipador.

Ademais, ressalto a importância indiscutível do tema. Porém, com base nos dados supracitados, observamos um ente estatal falido e desalinhado com a realidade da população brasileira. Um Estado que tira do pobre e dá para o rico. Um Estado que não reconhece a profunda desigualdade brasileira da qual ele é o grande culpado. Um leviatã negligente, que perpetua a disparidade de oportunidades e cobra mérito. O treinador que te dá uma rasteira e te pede pra correr.