Pesquisador do Ideias Radicais, editor do Instituto Mercado Popular e colunista do Instituto Liberal, é associado fundador do Livres - ES.

Siga nas redes sociais

Os brasileiros gastaram R$ 130 bilhões a mais por causa de impostos de importação em 2015. Tamanha tributação resulta no encarecimento do que vem de fora para ser consumido por aqui, o que torna alguns bens inacessíveis aos mais pobres. Todavia, o impacto econômico de tamanha proteção tarifária vai muito além disso.

O argumento tradicional de sindicatos e industriais é que a barreira comercial é necessária para a geração de empregos. Contudo, estudo estima apenas 3 setores teriam redução de emprego superior a 0,5% em um campo de 57 setores analisados. Por outro lado, ¾ desses setores teriam uma expansão do emprego com abertura comercial. Além disso, estima-se que haveria uma redução no nível geral de preços de cerca de 5% em relação ao cenário sem liberalização. Setores que hoje são muito protegidos, como automóveis, maquinários, couro, têxteis e vestuários, teriam uma redução nos preços entre 6% e 16%. Esse é o preço pecuniário a mais em média pago pelos consumidores brasileiros em nome da defesa da indústria nacional – e que vai para o bolso do governo.

A política comercial brasileira é altamente intervencionista e protetora. A alíquota alfandegária brasileira é a maior entre todos os países emergentes e desenvolvidos. Entre seus resultados, nossas exportações e importações representaram somente 24,6% do PIB em 2016, perante a média global de 51,3%.

Esse isolamento comercial faz com que a sociedade brasileira deixe de se beneficiar dos ganhos com o comércio, reduzindo nosso grau de eficiência e a possibilidade de atingir melhores níveis de bem-estar. Isso ocorre porque o acesso a insumos mais baratos fica impossibilitado para os empreendedores brasileiros. Corolário a isso, nos condenamos a ficar mais pobres haja vista que tamanho protecionismo perpetua empresas ineficientes.

Empresários costumam defender a abertura comercial do setor ao lado, mas não do seu próprio. São um forte grupo de pressão, e que, se preciso, se aliam até com a CUT para que você seja forçado a consumir produtos ruins e caros.

Além do baixo nível de capital humano e da infra-estrutura precária no Brasil, o principal motivo para a estagnação da produtividade brasileira nas últimas 5 décadas são – justamente – as barreiras alfandegárias. Empreendedores brasileiros investem pouco em inovação porque, em larga medida, não precisam ser tão competitivos. Tudo resulta em um cenário em o Brasil ocupa o 61º lugar entre 63 países no Ranking Mundial de Competitividade.

Proporcionalmente, nós somos mais fechados comercialmente do que Cuba, um país que costumeiramente reclama de sofrer um bloqueio comercial. Em outras palavras, o Brasil se impôs um autoembargo econômico – digno de períodos mercantilistas. É preciso pararmos de insistir nesta receita do fracasso, inclusive com liberalização comercial unilateral.