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Músico, produtor, professor e coordenador estadual do Livres no Pará.

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Desde seus primórdios, o fenômeno social provocado pela histeria coletiva e rejeição ao PT chamado bolsonarismo tem se mostrado iliberal. Porém, quando este fenômeno social não estava instalado no Executivo e Legislativo, seu protagonista, Jair Messias Bolsonaro, tentou parecer um liberista, ou seja, liberal apenas na economia; e tentou constituir tal imagem baseada no seu economista Paulo Guedes.

Não era segredo que moralmente Bolsonaro era retrógrado, porém, ao lado de um economista da universidade de Chicago, ele parecia economicamente viável para alguns. Após ser eleito com a postura de um reacionário liberista, Bolsonaro colocou certas promessas liberistas de lado para pautar uma gestão altamente estatista. Paulo Guedes concentrou-se em pregar um elitismo despótico e uma agenda econômica que nada tinha de liberal, além de criticar reformas liberais de cunho monetarista como o Plano Real.

Também não podemos esquecer os escândalos de corrupção vindos da família Bolsonaro e a tentativa de autoproteção manipulando a máquina estatal. Um claro coronelismo, que simboliza o atraso, o retrocesso; a desconstrução do que a democracia liberal brasileira tentou construir.

O bolsonarismo então se prova como uma degradação moral pela corrupção, coronelismo e promessas quebradas. Mas também prova-se um retrocesso moral e econômico. A ética das massas é um fenômeno coletivo e mutante, que adapta-se ao seu tempo histórico, e falando especificamente da sociedade ocidental, a ética tem caminhado para um maior respeito à individualidade do cidadão; para a liberdade de escolher seus valores e suas cosmovisões sem nenhum tipo de censura ou restrição. Mas o Bolsonarismo representa, não só uma desconstrução da liberdade do indivíduo, mas também, uma tentativa de reverter o processo histórico da atomização e independência do cidadão; um retrocesso, para um tempo no qual a moralidade do coletivo, era mais importante do que o pensamento livre individual. Isto torna-se nítido, quando o Bolsonaro e seus seguidores deslegitimam e ridicularizam minorias. Certa vez em campanha, Jair Bolsonaro chegou a dizer: “As minorias têm que se curvar às maiorias”. Deixando clara sua postura coletivista, populista e antiliberal.

O bolsonarismo também é anti-intelectual, pois busca antagonizar a ciência baseado em negacionismo puro, o que ficou claro na pandemia. A automedicação, a negação da existência da COVID-19, a crítica aos meios de comunicação por mostrar o quão grave era a pandemia etc. Algo recorrente entre Bolsonaro e seus seguidores é taxar de inimigo qualquer indivíduo que pense diferente e ouse questionar as medidas do atual governo. Geralmente são chamados de “comunistas” ou traidores da pátria. Um fato curioso é que na Venezuela acontecia o mesmo fenômeno, onde os questionadores e opositores eram chamados de “imperialistas” e traidores da pátria. Agora o bolsonarismo coloca-se contra a própria ciência econômica que dizia defender; justificando a todo custo o aumento do poder estatal, as interferências no livre mercado e a péssima gestão macroeconômica.

Atualmente, no Brasil, a economia tem dado passos largos em direção ao declínio. E a qualidade de vida do brasileiro médio baixou significativamente. A intervenção direta na Petrobras deixou consequências econômicas desastrosas no mercado interno e externo. A confiança do mercado internacional no Brasil diminuiu bastante e por certos acidentes diplomáticos o país está ficando isolado gradativamente.

O bolsonarismo é um retrocesso do progresso da sociedade brasileira em vários campos, e ainda que seja derrotado, levará bastante tempo para sarar as feridas que este deixou na sociedade brasileira.