Graduando em Administração de Empresas, foi coordenador do Students for Liberty e presidente do Grupo Domingos Martins. Atuou em controladoria, marketing e gestão de economia real. Trabalha no setor de ensino internacional. É associado fundador do Livres – ES.

Para os que não conhecem sua vida pré-legislativa, desde quando começou a aparecer nos telejornais capixabas, o então delegado Fabiano Contarato era implacável com os menores delitos no trânsito. Do excesso de velocidade à direção embriagada, as punições não deveriam poupar ninguém. O momento de sua eleição foi bastante propício e quase paralelo à ascensão de outro intransigente com criminosos e infratores: Jair Bolsonaro.

Sua candidatura ao Senado no ano passado, a primeira que participou em sua vida, trouxe não apenas a trajetória de uma década na luta contra crimes de trânsito, mas também a bandeira social de poder se tornar o primeiro homossexual assumido a se tornar senador da República.

Desbancando dois oponentes populares e com longa ficha política, Contarato conquistou milhões de votos e entrou como a promessa de ser um político tão intolerante com as falhas do sistema quanto foi em seu tempo de delegado.

Em menos de 8 meses de governo, estamos assistindo como o senador capixaba trata pautas importantes, como radares nas rodovias ou a Medida Provisória 881. O senador parece se esquecer de que agora é um legislador.

Um legislador tem como obrigação de sua função o debate público e o contraditório de ideias. Ocorre que, mesmo nos assuntos em que possui décadas de experiência, como no caso dos radares, Contarato optou por postular a intervenção do judiciário em lugar do debate.

Mesmo eleito em um ano onde os brasileiros, em sua maioria, demandaram maior liberdade econômica e menos burocracia, o senador reitera o comportamento antidemocrático de pedir intervenções do STF no processo legislativo, postulando a suspensão do trâmite da MP da Liberdade. Em sua justificativa, Contarato defende com unhas e dentes pontos retrógrados da CLT, o legado do fascista Getúlio Vargas, inspirado por outro fascista, Mussolini.

Sua total falta de habilidade para o diálogo se comprova não só em suas ações, mas também em suas tentativas ridículas de argumentar contra a MP 881 e as reformas trabalhista e previdenciária. Em vez de criticar de forma estruturada e lógica os pontos de discordância, o senador apela para adjetivos simplistas e abstratos que não argumentam nada, como no trecho abaixo citado por reportagem do site Século Diário:

“uma verdadeira desconstrução da CLT [Consolidação das Leis do Trabalho] e uma perversidade que complementa o saco de maldades da reforma trabalhista e, como a reforma da Previdência, vem embalada em um discurso falso. Não combate privilégios e acentua desigualdades”

Formado em uma das melhores universidades do Espírito Santo, anos de carreira pública como delegado, e ainda incapaz de formular um argumento concreto e direto para expor suas discordâncias.

É impossível não elogiar a capacidade de Contarato em se vender como algo que não é. Funcionário público de carreira intoxicado por todas as ideias garantistas e corporativistas que formam o estado brasileiro atual, foi capaz de se vender e se eleger como um candidato da mudança.

A realidade nua e crua é que Fabiano Contarato é apenas um rosto novo para as mesmas ideias velhas e esgotadas.