Administrador e deputado federal pelo Novo/MG. É associado do Livres, líder do RenovaBR e dirigiu a Fundação Estudar.

Como ex-aluno de uma universidade federal, a qual sou muito grato pela minha formação, e como profissional que circula pelas universidades públicas de todo país há mais de 10 anos, sei o quanto há de ineficiência e desperdício de recursos nestas instituições. Acredito igualmente que os cursos oferecidos e as pesquisas realizadas precisam estar mais alinhados ao mercado de trabalho e à aplicabilidade prática. O que é ensinado e pesquisado com o dinheiro do pagador de impostos tem a obrigação de dar retorno à sociedade.

Também conheço e sou crítico aos muitos casos de cooptação de DCEs, conselhos universitários e reitorias por partidos e indivíduos que utilizam de suas posições para propagar indevidamente suas ideologias e hostilizar ou isolar alunos e professores com pensamentos divergentes. Acredito, portanto, que precisamos repensar de forma profunda a estrutura de operação e financiamento das universidades públicas brasileiras, assim como precisamos entender e respeitar as universidades como um ambiente plural e de expressão do livre pensamento, seja ele qual for.

Porém, a forma como o assunto foi abordado pelo MEC não é aceitável. Não é desprezando o estudo de cursos de humanas que iremos solucionar o déficit de formação em ciência e tecnologia no país. Mudanças são necessárias, mas precisam ser feitas de forma respeitosa e estruturada. Não é anunciando um corte abrupto de recursos, aparentemente motivado por discordâncias ideológicas, que iremos combater a falta de pluralidade de ideias e oferecer uma solução sustentável para o financiamento e operação do ensino superior brasileiro.

Cortes que sejam necessários, e provavelmente são, devem vir acompanhados de um plano de transição e mudanças na legislação que permitam que as universidades se adequem a novas formas de financiamento, como cobrança de mensalidades, doações e financiamento privado de pesquisas e obras.