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Sou extremamente orgulhoso por ter me formado na UFBA. Não tenho dúvida de que o ensino de excelência, somado a uma das melhores redes de extensão e pesquisa do país, formaram-me um profissional e um cidadão muito melhor.

Assim, não é possível aceitar o discurso do Ministro da Educação que, ao projetar as Universidades como um antro de marxismo vulgar, busca corrigir sua projeção condenando o que existe de melhor nestas escolas: sua produção científica.

No entanto, esta pode ser uma boa ocasião para discutir o financiamento das instituições. Afinal, existem muitos desafios, mas que com as soluções certas se tornam oportunidades para impulsionar o ensino e tornar eficiente e econômico o uso dos recursos públicos.

Para tanto, é fundamental que as universidades abandonem sua ilógica aversão ao capital privado.

Quase toda a P&D no Brasil é produzida pelas universidades públicas, apesar disso campeia a falta de recursos em seus laboratórios e a desvalorização de seus pesquisadores.

É preciso permitir o financiamento empresarial das pesquisas relevantes oriundas das UF’s e UE’s e a possibilidade de remuneração bônus para os estudantes e professores pesquisadores.

As próprias universidades deveriam incentivar seus profissionais mais dedicados com melhores salários. Um professor que estuda, pela enésima vez, o pensamento de seu autor preferido deve receber o mesmo salário daqueles que buscam a cura para a zika virus? É óbvio que não.

Outra solução é o estímulo a criação de endowment funds, fundos patrimoniais oriundos de doações privadas de pessoas físicas e jurídicas que funcionam como um caixa paralelo, garantindo seus rendimentos às universidades em caráter perpétuo. As universidades americanas são referências nessa modalidade de financiamento.

Importa também rediscutir os imóveis das instituições. Grande parte dos campi ficam em bairros nobres das capitais, tornando-se ativos valiosos para a arrecadação das universidades. Sem contar que grande parte do seu território é ocioso e pode ser, por exemplo, alugado ou vendido para incubadoras, hubs de inovação e empresas de tecnologia.

Por fim, como garantia de justiça, urge-se o destrave da permissão da cobrança de mensalidade a estudantes que possam pagar. É assim em quase todas as universidades do mundo: quem pode pagar, paga. Quem não pode, recebe até apoio da instituição.

Estas são apenas algumas das medidas que poderiam ser avaliadas para aumentar os recursos financeiros das universidades, aprimorar sua qualidade acadêmica e dar eficiência aos seus gastos.

A Universidade não é uma balbúrdia, mas também não é um paraíso. Seus problemas precisam ser enfrentados com coragem e criatividade. Esse debate é necessário.