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Graduando em Políticas Públicas, assessor parlamentar, membro do Students For Liberty Brasil e Coordenador Estadual do Livres no Rio Grande do Sul.

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Em menos de um mês da confirmação do primeiro caso no Brasil, O COVID-19 subiu o morro. A chegada foi muito mais rápida e eficiente que a maioria dos serviços prestados pelo Estado brasileiro. As primeiras disseminações vieram de pessoas que realizaram alguma viagem recente à Europa, contudo, aqueles que serão mais afetados pela propagação do vírus, em sua grande maioria, dificilmente tiveram ou terão acesso aos grandes países que apresentaram os primeiros focos do vírus Corona. Digamos que um morador da Rocinha (maior favela brasileira com cerca de 70 mil habitantes), decida ir para Itália, país no qual o alto índice de contaminação do vírus continua crescendo de forma alarmante. Ele gastaria, em média, apenas com a sua passagem de ida, cerca de cinco meses trabalhados, tendo como base a renda média per capita das favelas brasileiras de R$ 734,10.

Falar em favela, sem que tratemos de questões como o saneamento básico falho e políticas de acesso à saúde pública, não traz a magnitude e complexidade dos sistemas assistenciais, tendo em vista que o acesso à informação de proteção e precaução são escassos, enquanto a proliferação do vírus é iminente. Estes locais são marcados por políticas públicas não efetivas, aliadas à formas irregulares de condicionantes de qualidade de vida, isto é, esgoto a céu aberto, dejetos causando poluição e falta na qualidade de água, por exemplo.

Você sabe o que é um vírus e como evitar a contaminação? Sabe como e onde buscar auxílio quando houver sintomas? Estudos da Universidade de Stanford em parceria com o Observatório de Favelas e a Redes da Maré mostram que apenas 29% dos residentes em periferias completaram o ensino fundamental e que 26% completaram o ensino médio, evidenciando a precariedade de acesso à informações essenciais para entendimento de como proceder diante de situações emergenciais no que tange a questão de vigilância sanitária.

O coronavírus interfere nas estruturas e o funcionamento de saúde de toda a população mundial, perpassando questões físicas e psicológicas que apresenta momentos de grande mobilização social como o que estamos vivendo. Atualmente no Brasil existem cerca de 6.329 favelas que, juntas, mobilizam praticamente 120 bilhões de reais anualmente. Ao todo, são 11 milhões de pessoas residindo nesses locais que vêm nesse momento diversos obstáculos diante dessa pandemia e dependem de um Estado negligente para satisfazer grande parte de seus anseios.

Na pesquisa Economia das Favelas – Renda e Consumo nas Favelas Brasileiras”, desenvolvida pelos institutos Data Favela, apenas 5% dos entrevistados responderam que o governo federal e o presidente podem contribuir para a vida melhorar e 1% atribuiu a responsabilidade ao prefeito da sua cidade.

A favela, historicamente, quando precisou, teve apenas a liberdade ao seu lado. Não é à toa que, em Paraisópolis, por exemplo, cerca de 70% dos moradores trabalham na área de serviços e serão diretamente atingidos pelo estado de calamidade pública, perderão os seus empregos e se juntarão à quarentena. Quarentena em que terão que ficar confinados, em uma distância de um metro e meio, dos outros 11 moradores de uma residência 30 m².

Força à favela, onde o vírus que veio da China chegou mais rápido do que o Estado brasileiro.