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Advogado, professor da UFAL, CESMAC e UNIT, membro do Conselho da ENA e Secretário Executivo de Integração Política e Social do Gabinete Civil do Governo de Alagoas. Advogado, professor da UFAL, CESMAC e UNIT, membro do Conselho da ENA e Secretário Executivo de Integração Política e Social do Gabinete Civil do Governo de Alagoas.

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Recentemente o Facebook anunciou que vai usar agências de checagem de fatos para evitar a propagação de notícias falsas na rede social. A ideia é que as agências classifiquem as notícias e, de acordo com o grau de “veracidade”, elas tenham seu alcance orgânico diminuído ou não.

Trata-se, como se vê, de um tipo de restrição de conteúdo controlado por um agente racional centralizado, algo que vai de encontro não só à tradição da Internet, como também à própria liberdade de circulação de informações na rede. Isso porque a Internet é o campo próprio de um livre mercado de ideias. A internet é o lugar do modelo Wiki e da liberdade de pensamento.

Mas como manter a liberdade em tempos de “fake news”?

A definição do que é verdadeiro ou falso, verossímil ou não, manipulador ou não, deve, obviamente, ser objeto da atividade de todos que lidam com as redes sociais. Mesmo assim, agências de checagem, autoridades, especialistas, jornalistas profissionais, críticos e intelectuais devem atuar nesse livre-mercado de ideias de forma a se evitar a propagação de falsas notícias e a manipulação (que a curto prazo é imune ao teste da experiência e pode demandar um trabalho de metalinguagem como esse de checagem).

Mas nada pode ser pior que dar a qualquer um desses agentes uma espécie de poder centralizado de definir o que é certo ou verdadeiro. Os danos que um modelo centralizado ou racionalista pode causar são muito maiores do que o modelo de ordem espontânea ou de livre mercado.

Pense o seguinte: deflagradores de notícias falsas causam dano, mas esse dano pode ser corrigido pelos mecanismos espontâneos que, apesar de lentos, são comprovadamente eficientes. Mas quando uma “agência de checagem” é a própria manipuladora dos fatos, não teremos nenhum mecanismo de correção e, assim, nós caímos no paradoxo bem conhecido sobre quem deve “vigiar o vigia”.

Há também a questão sobre a objetividade dos fatos (não estou falando da questão metafísica ou epistemológica). No âmbito da linguagem jornalistica, como sabemos, existe amplo espaço para a adjetivação e para a subjetividade. As próprias agências de checagem se dedicam muitas vezes a “checar fatos” que são mera opinião. Recentemente, uma dessas agências checou a frase de Lula que dizia “Quanto mais eles me atacam, mais cresce a minha relação com o povo brasileiro”. Trata-se, como se vê, de uma afirmação claramente valorativa e emotiva. Pior, a “checagem” deu como informação verdadeira. Isso nos coloca num campo em que a objetividade é, no máximo, uma questão de grau.

O Facebook é uma empresa privada e ninguém é obrigado a postar conteúdo na rede, claro. Mas posso fazer meu julgamento sobre sua estratégia. Se o objetivo do Facebook é evitar a notícia falsa, ao criar um controle centralizado de cima para baixo, ela só contribui com uma maior manipulação. Penso que é um grande equívoco que contribuirá para a manipulação política e não com a valorização da verdade.