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Engenheira mecânica e ex-atleta de vôlei. Engenheira mecânica e ex-atleta de vôlei.

Artigo publicado originalmente no Jornal Plural. Para conferir na íntegra, clique aqui.

Depois de 1 ano e meio de escolas fechadas, finalmente as aulas presenciais estão voltando na capital paranaense. E a despeito de todo esforço feito pela Secretaria da Educação, desenvolvendo atividades de maneira remota em um esforço louvável que reconheço e parabenizo, a verdade é que muitas crianças não se adaptaram a esse modelo de ensino. O nível de aprendizagem caiu!

Estudo recente feito pelo INSPER, em parceria com o Instituto Unibanco, e conduzido pelo renomado economista Ricardo Paes de Barros, intitulado “Perdas de Aprendizagem na Pandemia”, revela resultados assustadores: a absorção de conteúdo caiu pela metade onde o modelo remoto foi adotado, que é o caso de Curitiba. A perda na aprendizagem das nossas crianças pode condenar uma geração inteira a não conseguir vencer a pobreza!

Esta é apenas uma das nefastas consequências que essa pandemia está trazendo para nossas crianças. Já nos próximos meses, outro desafio deve nos afrontar: o abandono e a evasão escolar. Vários são os fatores que levam uma criança ou adolescente a desistirem da escola: estrutura familiar; questões econômicas (agravada com a perda de renda por diversas famílias durante a pandemia); gravidez na adolescência; dificuldade e falta de transporte; falta de interesse nas aulas (que pode ser ocasionada por diferentes fatores, desde problemas oftalmológicos, até falta de compreensão do que está sendo ensinado). Pelo menos, dois destes fatores foram severamente agravados com a pandemia e devem influenciar no aumento de casos de abandono e evasão escolar. Se a criança precisa ajudar financeiramente em casa, ou se ela não está acompanhando satisfatoriamente o que está sendo ensinado, as chances de desistência aumentam consideravelmente!

Segundo estudos da UNICEF, corremos o risco de retroceder em 20 anos o acesso à educação em nosso país. Uma perda inestimável para nossas crianças!

Pensando nisso, protocolei em parceria com a vereadora Indiara Barbosa um projeto de lei que visa criar princípios, diretrizes e objetivos para combatermos com seriedade esse problema que vamos enfrentar. Este projeto de lei é a ferramenta mais poderosa que dispomos neste momento para colaborar no esforço de redução e prevenção da evasão escolar.

Mas não é a única. Apresentei, também, uma solicitação formal à prefeitura para que faça a adesão ao Programa de Busca Ativa Escolar da UNICEF. Esta é uma ferramenta gratuita disponibilizada para os estados e municípios, que tem ainda o benefício de acesso a materiais específicos, treinamento com os servidores e troca de conhecimento com especialistas para que a busca pelas crianças e adolescentes seja feita de maneira a reduzir o número de abandono (quando o aluno desiste de estudar em um ano, mas retorna ao sistema no ano seguinte) e reduzir a evasão (quando o aluno sai definitivamente do sistema escolar).

Seguimos firmes pensando em políticas públicas que possam melhorar de verdade a vida das pessoas! E estou cada dia mais convencida da importância de dedicarmos nossa atenção para pensarmos maneiras de aperfeiçoar a educação oferecida para nossas crianças, para redução da pobreza, aumento de oportunidades e um país melhor!