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Os hospitais de campanha do Rio são um verdadeiro escândalo. As suspeitas de corrupção ganharam o noticiário hoje, com a operação policial que teve como alvo o governador Wilson Witzel. Segundo o Ministério Público Federal, há prova robusta de fraudes e indícios de que o próprio governador sabia do esquema.

A verdade é que é muito difícil ter outra explicação para a própria decisão de construir hospitais de campanha no Rio. Acontece que a rede pública disponível possui muitos leitos hospitalares subutilizados por problemas cuja resolução é muito mais simples, fácil e barata.

O governo prometia construir 2 mil vagas temporárias em hospitais de campanha com um investimento milionário e passageiro. Ao mesmo tempo, só na rede pública municipal do Rio já existiam outros 2.700 leitos hospitalares, em boas condições, que poderiam suprir essa demanda, mas que se encontram subutilizados.

São leitos que estão fechados por falta de profissionais de saúde (que também seriam contratados para os hospitais de campanha), por falta de insumos (quem também seriam comprados para os hospitais de campanha) ou por simples problema burocrático. Um exemplo são os leitos reservados para pacientes em condição pré-operatória. Como a maior parte das cirurgias eletivas estão suspensas nesse período de pandemia, muitos desses leitos poderiam ser facilmente reclassificados, adaptados e colocados à disposição da população.

Diante dessa disponibilidade de leitos subutilizados, a construção dos hospitais de campanha faz ainda menos sentido do ponto de vista da saúde. A literatura médica indica que os tratamentos em hospitais regulares tem desempenho clínico superior a tratamentos realizados em hospitais de campanha, onde a estrutura é provisória, os equipamentos ainda não estão consolidados e as próprias equipes de saúde não tem o mesmo entrosamento em comparação a unidades que já funcionam regularmente.

As instituições de controle precisam essas investigações a fundo. Se a corrupção é inaceitável sempre, ela se torna ainda mais revoltante em meio ao caos de uma pandemia.