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A aliança entre Paulo Guedes e Bolsonaro pode ser um enorme desserviço à causa liberal no Brasil. Esse é o diagnóstico de um dos maiores economistas liberais em atividade no país, o economista Persio Arida, ex-presidente do Banco Central e que hoje integra o Conselho Acadêmico do Livres. A declaração aconteceu durante sua participação no LivresMercado da última quarta-feira, ao responder a uma pergunta enviada pela associada Deborah Bizarria, de Pernambuco.

“A imagem do liberalismo associada a Bolsonaro e Guedes vai reforçar o estereótipo de um liberalismo que na verdade não leva a lugar nenhum”, avalia Persio. Para o idealizador do Plano Real, a retórica de liberalismo econômico do governo está restrita ao plano fiscal, sem tocar em outras áreas fundamentais para o liberalismo no próprio âmbito da economia. “Não to desmerecendo a importância da agenda de controle das contas públicas, mas tá longe de ser o liberalismo na prática”, explica.

Arida cobrou uma agenda econômica mais ampla. “Vende estatais, abre a economia, aumenta a competitividade dos setores, cria condição pro empresariado competir de uma forma efetiva, reduz a carga tributária. Aí você tá falando de um liberalismo econômico efetivo. Não é o que está acontecendo”.

Se o olhar sai da economia, a situação se torna ainda pior. “Esse governo tem uma retórica retrógrada em costumes, então na verdade não tem nada de liberal”, pontuou. Na visão do conselheiro do Livres, “o grande desafio que nós temos, como liberais, é separar o liberalismo do que esse governo tá fazendo”.