A advogada Myriam Gadelha, ex-namorada agredida pelo prefeito Fabio Tyrone (PSB), de Sousa, no sertão do Paraíba, foi impedida de falar na sessão solene em homenagem ao dia internacional da mulher na Câmara de Vereadores da cidade. Ela havia sido convidada pela vereadora Bruna Veras para dar seu depoimento a respeito da violência contra as mulheres, mas viu a sessão ser precocemente encerrada pelo vereador Radamés Estrela, presidente da Casa e aliado do prefeito.

A advogada Myriam Gadelha foi agredida fisicamente no final do ano passado pelo prefeito de Sousa Fabio Tyrone, com quem na época mantinha um relacionamento de 4 meses. Com ciúmes na volta de uma festa, o prefeito desferiu tapas, derrubou no chão e chutou seguidamente a advogada.

Após a denúncia, a justiça desferiu uma medida protetiva que impede Tyrone de se aproximar de Myriam, mas ele continua exercendo normalmente as suas atividades como prefeito. Tyrone também responde a um segundo processo, na justiça do Ceará, por violência doméstica contra outra ex-namorada.

Associado do Livres e vereador de João Pessoa, capital da Paraíba, Lucas de Brito ficou indignado com o machismo e com a cumplicidade da violência que foi institucionalizada pela decisão da Câmara de Sousa ao impedir a fala da advogada e encerrar precocemente a sessão solene pelo dia internacional da mulher.

Lucas apresentou um Voto de Solidariedade à advogada que foi aprovado por unanimidade na Câmara de Vereadores de João Pessoa. “O parlamento de Sousa cassou a palavra de uma mulher no dia em que se comemorava uma data importante. A Câmara de João Pessoa esteve atenta a esse fato e se posicionou muito claramente que repudia a violência contra a mulher sob todas as suas formas”, declarou Lucas.

Lucas de Brito já havia apresentado um Voto de Solidariedade à advogada Myriam Gadelha em dezembro do ano passado, após agressões físicas e verbais sofridas por ela. Na ocasião, o requerimento também foi aprovado por unanimidade.

O vereador também aproveitou o debate sobre o tema para ressaltar a importância de fortalecer o registro sobre os índices de violência contra a mulher na Paraíba, com maior divulgação do no número da Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180), serviço da Secretaria de Políticas para as Mulheres, ligada ao Ministério dos Direitos Humanos (MDH).