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Para enfrentar essa crise precisamos de um esforço conjunto de todos, sem exceções. A MP de Bolsonaro é capenga e improvisada. E mentir não resolve o problema.

Estamos quebrados. É inevitável que os trabalhadores paguem uma parte da conta. Mas eles não podem pagar sozinhos. Falar em preservar o trabalho sem nenhuma renda do trabalhador durante 4 meses é um plano maluco. Não há outra palavra. Ninguém tem poupança pra viver 4 meses sem renda e a medida causaria um caos social ainda maior. Com explosão da informalidade, seria o fim da quarentena.

A maior urgência é justamente garantir algum tipo de renda para os trabalhadores informais. Não faz sentido pedir que se protejam do Coronavírus se a única alternativa posta à mesa é morrer de fome. Por isso, precisamos de um aumento temporário imediato do Bolsa Família.

Não é possível manter os mesmos padrões de renda de um cenário sem crise. A conta é pesada. E tem que ser compartilhada. Para compensar o aumento de gasto, é preciso cortar na carne do setor público, a começar pelos salários dos poderes executivo, legislativo e judiciário.

No setor privado, é preciso flexibilizar as relações de trabalho. A MP tem pontos positivos na regulação do teletrabalho e antecipação de férias e feriados. Mas é surreal na suspensão de renda por 4 meses. Patrão, empregado e governo deveriam dividir a conta. A justiça do trabalho certamente não permitirá a suspensão total da renda do trabalhador. Com isso, a empresa que não quebrar agora, pode acabar quebrando depois. A proposta do governo sequer protege as empresas. Na verdade, gera insegurança e imprevisibilidade.

Além da incapacidade de liderança de Bolsonaro, o caos desse momento é fruto de escolhas erradas ao longo dos anos. Não temos dinheiro para medidas emergenciais hoje porque não economizamos ontem. Sairemos todos mais pobres porque ignoramos a responsabilidade fiscal.

Precisamos ter coragem de enfrentar injustiças históricas do Estado brasileiro. É hora de aprovar a PEC dos Penduricalhos e acabar com todas as verbas extras do setor público para quem recebe mais de R$ 10 mil e faz parte dos 2% mais ricos do Brasil. Antes de mais nada, precisamos de menos privilégios e mais Bolsa Família.