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“Há uma incompreensão muito grande sobre o que significa um regime ditatorial para a população. Uma parcela de brasileiros aprendeu a louvar governos militares e ditatoriais sem entender o que isso significaria para si mesmos”, analisa o cientista político Magno Karl, diretor executivo do Livres.

Em entrevista para a Jovem Pan, Magno comentou as paralizações promovidas pelos caminhoneiros em apoio ao presidente Jair Bolsonaro e as manifestações golpistas do último 7 de setembro. “Foram para frente do Palácio do Planalto pedindo golpe militar e intervenção e, ao mesmo tempo, reclamam da truculência da polícia, da violência policial e de ter que abrir espaço para carros passarem”, constata.

“Ora, numa situação em que a democracia é suspensa – e foi isso que os manifestantes pediram no 7 de setembro – esses direitos também estão suspensos. Então, se a expectativa desses manifestantes fosse atendida, nós não teríamos mais a paralização dos caminhoneiros. Eles não entendem o que estão pedindo, como crianças que acham que tudo seria brincadeira”, continuou.

Para Magno, a confusão entre os desejos dos manifestantes e a realidade política foi estimulada pela postura de Jair Bolsonaro ao longo dos anos. “Nós temos um presidente que esteve ao lado da paralização dos caminhoneiros em 2018, quando havia pautas claras. Hoje, em parte elas continuam as mesmas. A gente volta a falar do preço do combustível e do preço mínimo para o frete. A diferença é que agora Jair Bolsonaro se deu conta que a paralização dos caminhoneiros faz mal para o governo, porque Jair Bolsonaro agora é governo. Não interessa ao presidente Jair Bolsonaro que haja desabastecimento, mesmo que para o militante político Jair Bolsonaro o caos causado pelos caminhoneiros possa até ser lucrativo de alguma forma”, comentou.

Confira a entrevista completa: