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Nesta sexta-feira, 29/05, o Livres realizou uma Audiência Pública com especialistas e ativistas da área da educação, a fim de discutir o adiamento do Enem 2020. Os convidados foram Fred Amancio (Consed), Gustavo Balduíno (Andifes), Lucas Fernandes (Todos pela Educação), Daniel Garrido (GetEdu), Tiago Mitraud (NOVO-MG), Júlia Lucy (NOVO-DF), Jamile Sarchis (Conjuve), Marcelo Calero (Cidadania-RJ) e Fernando Schüler (Insper). O presidente da Audiência foi o deputado Pedro Cunha Lima (PSDB-PB).

“Quando falamos de Enem, falamos de uma geração. É uma prova onde as pessoas colocam seus sonhos. Os jovens almejam dar sequência a um projeto de vida para se capacitarem e se formarem, e conseguirem crescer na vida”, disse Pedro.

Especialistas comentaram a importância que é tratar da pandemia como foco principal. Tendo o combate ao coronavírus como norte, o problema do Enem será resolvido.

“Nós devemos primeiro contextualizar o que é um senso comum hoje em dia, mas é preciso sempre recuperar: temos um problema de pandemia antes de um problema de educação. É um problema de saúde pública complexo. O problema da educação é consequência do da pandemia. É difícil resolver o problema da educação sem olhar antes para a pandemia. Não é uma questão brasileira, não é uma questão local, é uma questão mundial. A complexidade de um problema como esse exige lideranças que envolvam todos os atores. Veja bem, estamos falando do Enem, que é um concurso do Brasil. Quando enfatizo nisso, o que eu quero dizer: a complexidade do nosso país. A pandemia não está da mesma maneira na região Norte e na região Sul. Entretanto, o Enem é no mesmo dia e no mesmo horário, para todo mundo. É possível fazer o Enem em datas diferentes e com a mesma comparabilidade. Olhando a quantidade de inscritos e locais de prova, o adiamento era fundamental para que, com essa dimensão – 5 milhões de candidatos – onde estiverem localizados, seja possível planejar um eventual prova. Quando vai ser o Enem? Eu não sei dizer. Nosso problema não é quando será o Enem, mas sim, em que condições ele vai se realizar. Ele foi adiado em razão da pandemia, que está acentuando as desigualdades”, diz Balduíno.

Ativistas pela educação também argumentaram que muitos brasileiros não têm acesso à internet e a livros, o que dificultaria a preparação para a prova.

“Existe quase um consenso de que o adiamento é importante. Analisando dados sobre conectividade, por exemplo, 67% das famílias possuem acesso à internet. Esse número não parece tão gritante assim, mas, olhando por classe social, as classes D e E têm 40%, só. Dado que a gente tem o Enem como uma das principais formas de ingresso ao ensino superior e o número de vagas é limitado, caso a gente não trabalhe no adiamento do Enem, o que estamos fazendo é privilegiar as famílias de classe A que têm 99% de conectividade”, disse Lucas.

Precisamos fazer um recorte de classes e divisão regional, vemos que 90% das casas no Norte do Brasil não têm internet. 79% no Nordeste também não têm conectividade. Como podemos falar sobre Enem digital com essa realidade? Como que nós, em um momento de incertezas, com 11 milhões de jovens que não estudam e não trabalham, que não sabem como vão se recolocar ou se introduzir no mercado de trabalho, podemos esperar que ele consiga parar e se preparar para o Enem?”, diz Jamile.

Você pode assistir à gravação da live logo abaixo: