Como revitalizar o Centro de Belo Horizonte sem medidas autoritárias ou leilões públicos fraudulentos, longe da intervenção do governo? Para o os idealizadores do projeto coletivo Janela Aberta, a solução encontrada foi arrecadar dinheiro para comprar um anexo entre os edifícios Sulacap e Sulamérica, tombados pelo patrimônio cultural da capital mineira, para requalificar o Centro da cidade.

O Janela Aberta é formado por arquitetos, urbanistas, professores, políticos e representantes da sociedade civil. Um deles é o Gabriel Azevedo – premiado vereador em BH, associado do Livres está entre os idealizadores do projeto. A iniciativa foi lançada na quarta-feira (12), durante o aniversário de 121 anos da cidade.

Os dois edifícios localizam-se no quarteirão formado pela Avenida Afonso Pena, Rua da Bahia e Rua Tamoios. De arquitetura da primeira metade do século XX, o Sulacap e o Sulamérica margeavam a Praça da Independência no vão entre eles, que dava visão ao Viaduto Santa Tereza. Com a construção do anexo, em 1970, e com a autorização da Câmara Municipal de Belo Horizonte, a fachada dos prédios e a praça ficaram completamente desfigurados.

“É só imaginar a Praça Raul Soares virando um prédio ou a Praça da Liberdade virando uma torre. Estamos iniciando o processo de arrecadação de fundos para comprar o anexo e demoli-lo”, explicou o vereador Gabriel Azevedo ao jornal Estado de Minas. Segundo Gabriel, a intervenção de 1970 está totalmente parada, o que motivaria o dono a vender e realizar o projeto do Janela Aberta.

Para que isso aconteça, um concurso de arquitetura será realizado, de onde sairá o projeto da restauração do lugar onde antes ficava a praça. Os recursos virão de doações que, de acordo com o Gabriel, já são articuladas com diferentes setores de Belo Horizonte.