Jornalistas e outros 52 presos políticos foram libertados pela ditadura da Nicarágua nesta terça-feira (11). “Estou feliz por ser novamente um homem livre”, afirmou à imprensa local Miguel Mora, um dos presos libertos – dono e diretor da emissora 100% Notícias. A porta-voz do canal, Lucía Pineda Ubao também está em liberdade.

“Nunca cometi um delito e fiquei preso por seis meses”, disse Mora. A decisão, comemorada por jornalistas e grupos de defesa dos direitos humanos e da liberdade, foi comemorada em todo país. A libertação dos presos políticos é resultado de uma lei aprovada pela ditadura de Daniel Ortega.

No entanto, a medida também anistia militares e membros das forças armadas que agiram na repressão violenta aos protestos contra o governo.
A crise que assola a Nicarágua atualmente começou em 18 de abril do ano passado, quando o ditador armou militantes do grupo Juventude Sandinista, além de outros grupos paramilitares, para reprimir as manifestações de estudantes. As milícias também foram empregadas na repressão aos protestos. Os conflitos deixaram 325 mortos e mais de 2.000 feridos.

Ortega se comprometeu a soltar mais 182 presos políticos até o dia 18 de junho. Mesmo assim, ex-prisioneiros afirmam que estão sendo impedidos de trabalhar e vigiados o tempo inteiro pelo governo.

O canal do jornalista Miguel Mora continua fora do ar.

Os esforços da ditadura de Ortega contra a liberdade de imprensa são uma medida para frear as notícias negativas, já que o país enfrenta grave crise econômica – principalmente após o corte de ajudas enviadas pela Venezuela desde o fim do governo de Hugo Chávez no país em 2013. Ortega é um dos principais aliados de Nicolás Maduro, mas vem sofrendo com os cortes de verba feitos pela ditadura venezuelana.