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Filho de um auxiliar de serviços gerais com uma diarista, economista com carreira no mercado financeiro. Existe um conectivo oculto entre essas duas características da trajetória de Daniel José, associado Livres e deputado estadual eleito por São Paulo: a educação, oportunidade que Dani abraçou com todas as suas forças. Agora eleito deputado estadual, ele vai lutar para garantir que, com eficiência, essa oportunidade chegue a todas as pessoas.

Na Jordânia, onde passou um ano ajudando refugiados do Iraque e da Síria, aprendeu definitivamente a importância de cultivar o valor da liberdade. “Aprendi que as democracias acabam e que não podemos tratar a nossa como algo que não enfraquece. Temos de cuidar dela”, disse.

Daniel José foi entrevistado pela coluna da jornalista Sonia Racy, no Estadão:

Aos 30 anos, Daniel José, deputado estadual eleito pelo Novo, já acumula certa bagagem de vida. Nascido em família humilde, trabalhou no mercado financeiro, foi voluntário no Oriente Médio e estudou em Yale. Um dos focos de seu mandato será educação. Nesta conversa com a coluna, ele faz um balanço do clima político e avisa: “Aprendi que as democracias acabam e que não podemos tratar a nossa como algo que não enfraquece”.

Você se formou em economia e viajou pelo exterior. Pode falar dessa trajetória?
Nasci em Bragança Paulista, meu pai trabalhou a vida inteira como auxiliar de serviços e minha mãe como diarista. Eles cobraram que eu estudasse, me formei em economia no Insper, com bolsa de estudos. Trabalhei no JP Morgan e no Velt Partners e, depois de alguns anos, decidi criar algum impacto na vida das pessoas. Fui até a Jordânia ajudar refugiados do Iraque e da Síria – onde fiquei por um ano.

O que aprendeu por lá?
Aprendi que as democracias acabam e que não podemos tratar a nossa como algo que não enfraquece. Temos de cuidar dela. Também foi lá que vi a importância prática da liberdade e entendi que a política pode ser uma forma de serviço.

E depois?
Ganhei uma bolsa em Yale e fui para os EUA. Recebi uma formação fantástica, tive aulas com Henry Kissinger. Fui colega do neto do John Kennedy e foi aí que caiu a ficha de como educação é importante: o avô dele era presidente dos EUA e o meu morava na zona rural de Bragança, sem esgoto, sem nada. E duas gerações depois a gente está em condições de igualdade. Esse é o poder da educação.

Então foi trabalhar na área?
Sim, decidi voltar ao Brasil e, a convite do Mateus Bandeira, candidato do Novo ao governo do RS, ajudei a dar o pontapé inicial numa empresa que presta consultoria a secretarias estaduais de educação e ensina técnicas de gerenciamento a órgãos públicos. Algumas são simples: acompanhar faltas acontecendo em tempo real, saber quantos professores estão sem carga horária, entender a diferença dos valores dos aluguéis das escolas…

Você tem uma proposta sobre mensalidade nas universidades estaduais paulistas, não?
As estaduais paulistas – USP, Unicamp e Unesp – são mantidas por ICMS, que é um dos impostos mais regressivos que há. Ele incide sobre consumo e a carga tributária pesa mais para quem tem renda baixa. Mas 75% dos seus alunos vieram de escolas particulares. Não faz sentido a sociedade gastar R$ 5.500 por mês para um aluno que pode pagar.

O que propõe?
Quem tem R$ 5.000 ou mais de renda familiar per capita pagaria mensalidade integral. Abaixo disso, bolsas progressivas para os alunos. E quem tiver renda até R$ 1.500 recebe bolsa integral. Não banca os custos, mas é um ponto inicial para pensar em como lidar com educação. /PAULA REVERBEL