fbpx

Se 2018 pareceu um ano de fortes emoções, nada poderia nos preparar para 2019. Para bem ou para mal, o governo liderado por Jair Bolsonaro testou a estabilidade do nosso pulso cardíaco. Decidimos, então, reunir alguns dos mandatários, líderes e associados do Livres para avaliarmos e darmos uma nota ao governo atual.

Nossa metodologia foi bem simples: avaliamos individualmente as principais áreas de políticas públicas e o trabalho dos ministérios, depois fizemos uma média dessas notas para o governo como um todo.

Com algumas reformas aprovadas e outras paradas, coleções de polêmicas, rachadinhas e golden showers, esse apanhado decidiu ser o mais direto possível. Focando nos resultados em detrimento às bizarrices (por mais sedutoras que elas sejam). Ao final do texto, deixamos um questionário para que você também possa dar a sua nota para o governo Bolsonaro. Vamos lá!

Se preferir, você também pode ver as nossas avaliações em vídeo:

Composição da Equipe

A forma de composição do ministério que estava em curso no Brasil antes de Bolsonaro não era boa. Por mais que haja uma verdadeira vontade de testar coisas novas – não necessariamente boas, mas novas -, Bolsonaro acabou falhando mais do que acertou. Substituiu o loteamento dos partidos pelo loteamento dos grupos ideológicos, retalhando toda e qualquer menção a diálogo com o Congresso e formando uma equipe que, na maior parte das áreas, traz muito pouco resultado. Apesar da promessa de indicações técnicas – que ocorreram, sim, em algumas partes do governo -, a maioria dos cargos acabou sendo ocupada por gente puramente ideológica.

Nota de Gontijo: 5

Nota de Magno: 6

Média: 5,5

Economia

Avaliadores: Leo Regazzini, Daniel Duque e Magno Karl

Diversas medidas emergenciais foram aprovadas e estão sendo votadas, como a reforma da Previdência, MP da Liberdade Econômica e as PECs do Pacto Federativo, indo de encontro não apenas ao que nós liberais defendemos, mas também com a garantia de sustentabilidade das contas públicas. Apesar disso, ficou em falta uma reforma dos militares compatível com a reforma geral da previdência, além de uma desorganização em relação a outras reformas, como a tributária. Rumores e ameaças da volta da CPMF também foram de grande desagrado. Mas, em geral, o ministro Paulo Guedes e sua equipe passariam de ano.

Nota do Leo: 8

Nota do Daniel: 6,5

Nota do Magno: 8

Média: 7,5

Justiça

Avaliadores: Alex Manente, colaborador anônimo e Magno Karl

Polêmicas à parte, o Ministério da Justiça e Segurança Pública tem cumprido papéis importantes. Projetos anticorrupção aprovados na Câmara e índices de violência urbana caíram de maneira considerável nos últimos meses. A principal medida do Ministério, o Pacote Anticrime, foi bastante desidratada na Câmara, mas isso acabou a livrando dos piores pontos. Há um certo pessimismo sobre a capacidade de coordenação federal para implantação de boas práticas nas secretarias estaduais de segurança pública, mas o que mais chamou a atenção de todos foi a subserviência do ministro Sérgio Moro ao presidente Bolsonaro, deixando-se fritar, e abrindo mão de suas propostas.

Nota do Alex: 8

Nota do colaborador: 6,5

Nota do Magno: 6

Média: 6,8

Educação

Avaliadores: Tiago Mitraud, Daniel Duque e Magno Karl

Declarada como a pior pasta atualmente do governo, o Ministério da Educação, inicialmente sob comando de Ricardo Vélez e hoje de Abraham Weintraub, trouxe muito viés e pouco resultado. Boas brigas foram compradas, como a reestruturação do ensino superior e a valorização da educação básica. Infelizmente, devido às atitudes do ministro Weintraub, essas intenções foram ofuscadas por polêmicas desnecessárias e não se transformaram em medidas consistentes. O MEC é talvez o maior artifício de Bolsonaro em sua guerra ideológica, mas suas propostas apresentaram ínfimos resultados.

Nota do Mitraud: 4

Nota do Daniel: 4

Nota do Magno: 1

Média: 3

Saúde

Avaliadores: Roberta Grabert, Arthur Britto e Magno Karl

O Ministério da Saúde talvez seja o mais silencioso de todo o governo – por bem, por ter evitado se manter em brigas ou polêmicas; ou por mal, por não ter conseguido muito resultado até agora. O fim dos Mais Médicos e a criação do programa Médicos pelo Brasil foram as principais medidas do ministro Mandetta até o mandeto.

Nota da Roberta: 6

Nota do Arthur: 7

Nota do Magno: 5

Média: 6

Mulher, Família e Direitos Humanos

Avaliadora: Cris Monteiro e Magno Karl

Em meio a polêmicas e histórias bizarras, a ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, teve grande atenção e é dada como a segunda ministra mais popular de Bolsonaro, atrás apenas de Sérgio Moro. Damares apresentou programas como o Disk Denúncia contra abuso sexual de menores e adolescentes, a inserção de idosos e prevenção de violência contra as mulheres. O que falta, entretanto, são indicadores de desempenho, para sabermos se os resultados dos programas estão saindo como esperado. Além disso, Damares mostra buscar satisfazer apenas à parcela da população com quem mais tem afinidade, no caso, a religiosa. Um exemplo disso é a ideia da ministra para lidar com a prevenção a DSTs e gravidez na adolescência: a abstinência sexual até o casamento (Hahaha!). Seria preferível que os jovens fossem educados sobre suas sexualidades e sobre métodos contraceptivos.

Nota da Cris: 6

Nota do Magno: 5

Média: 5,5

Relações Exteriores

Avaliadores: colaboradora anônima e Magno Karl

Um completo desastre ministerial. Irresponsável, o ministro Ernesto Araújo possui um potencial destrutivo muito grande, haja visto seu poder de representação Brasil afora. As ideias segundo as quais o ministro segue para direcionar sua política exterior são absurdas e desprovidas de lógica. O nosso país sempre foi uma referência de moderação e conciliação (tanto que era sempre chamado para mediar negociações entre países), e agora foi tomada por pessoas que não prezam por quaisquer valores minimamente respeitáveis, apenas os de oposição ao governo anterior, independente se estava certo ou errado. Dizer coisas que fazem alusão a conspirações globalistas financiadas pelo George Soros e etc. não compuseram o perfil profissional digno das necessidades do cargo.

Nota da colaboradora: 2

Nota do Livres: 1

Média: 1,5

Meio Ambiente

Avaliadores: Natalie Unterstell e Magno Karl

Poderíamos ter ficado na vanguarda ambiental do mundo. Infelizmente, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, adotou os piores métodos. A dedicação ambiental veio do combate aos métodos de governos anteriores e da paralisação de diversos programas que estavam correndo de maneira muito boa, como o Fundo Clima. Aconteceu que os maiores prejuízos vieram na pasta do meio ambiente: o desmatamento aumentou exponencialmente, infames queimadas na Amazônia ocorreram e o desastre do óleo no Nordeste foram os episódios que estamparam a cara de Ricardo Salles no posto de ministro mais negligente do governo, tanto pela demora em resposta emergencial, quanto pela recusa ao diálogo com os ecossistemas de inovação que podem nos ajudar no âmbito tecnológico.

Nota da Natalia: 1

Nota do Magno: 3

Média: 2

Infraestrutura

O ministro Tarcísio tem se provado o melhor ministro do governo Bolsonaro até agora. Com 27 ativos leiloados e bilhões em sua carteira, o ministério da Infraestrutura tem feito um excelente trabalho exatamente por não ser politizado, e sim pragmático e direto; sem estardalhaço, sem perder tempo com polêmicas desnecessárias na internet.

Nota do Magno: 8

Nota final

Formação de equipe: 5,5

Economia: 7,5

Justiça: 6,8

Educação: 3

Saúde: 6

Direitos Humanos: 5,5

Meio Ambiente: 2

Cultura: 1,5

Relações Exteriores: 1,5

Infraestrutura: 8

Média final: 4,78 

Ou seja, Bolsonaro foi reprovado na escola do Brasil. É bom estudar no ano que vem!

E você? Qual é a sua média para o governo Bolsonaro? Dê sua nota neste questionário!

powered by Typeform