A investigação sobre o motorista Fabrício Queiroz foi suspensa pelo STF a pedido do senador eleito Flavio Bolsonaro, filho do presidente. Queiroz trabalhou como assessor no gabinete de Flavio durante seu mandato como deputado estadual pelo Rio de Janeiro e teve transações financeiras atípicas da ordem de R$ 1,2 milhão identificadas pelo COAF – Conselho de Controle de Atividades Financeiras.

A decisão pela suspensão foi tomada pelo ministro Luiz Fux, do STF, até que o caso seja analisado após o fim do recesso judiciário pelo relator, o ministro Marco Aurélio Melo, designado por sorteio.

A suspensão da investigação ocorreu sob alegação do foro privilegiado a que tem direito os senadores da república. O detalhe é que as investigações até agora eram centradas na figura de Fabrício Queiroz, que obviamente não possui acesso a foro privilegiado. A decisão de suspender a investigação em função de foro privilegiado, portanto, indica o envolvimento do senador Flavio Bolsonaro nos fatos que ainda precisam ser apurados.

A manobra de Flavio Bolsonaro para atrapalhar as investigações utilizando o foro privilegiado como escudo acontece após Queiroz ter sido flagrado, em video, dançando no hospital – motivo que tem sido usado para adiar as explicações devidas à polícia para devida apuração do caso.
A postura que tem sido adotada até aqui em torno desse caso contraria frontalmente o discurso de combate à corrupção utilizado pela família e pelo governo Bolsonaro até o momento. Com o pedido ao STF, a covardia escancarou a hipocrisia. O Brasil não aguenta mais que escândalos envolvendo pessoas poderosas acabem sendo varridos pra debaixo do tapete.