Quem foi Nísia Floresta?

Nascida Dionísia Gonçalves Pinto, em 1810, Nísia Floresta foi uma grande educadora, abolicionista e individualista brasileira, considerada por muitos a precursora do feminismo e da luta pelos direitos da mulher na América Latina.

O pseudônimo Nísia Floresta Brasileira Augusta vem do sítio onde nasceu no Rio Grande do Norte – que se chamava Floresta –, do país que amava e do filho que teve. Sua maior bandeira sempre foi uma educação igualitária entre meninos e meninas e a defesa do amplo acesso das mulheres ao estudo, que muitas vezes era negado pelos tutores. Nesse sentido, era uma grande partidária das ideias de Mary Wollstonecraft, que defendeu na Inglaterra do século XVIII a racionalidade das mulheres e seu direito a uma educação formal não-discriminatória.

Rompendo as barreiras impostas às mulheres na época, publicou artigos abolicionistas e feministas, criticando o tratamento degradante direcionado à população negra e a discriminação de gênero também naquele contexto. Como educadora, Nísia dirigiu escolas em várias partes do Brasil, sendo as duas mais notáveis – colégio Brasil e Augusto – no Rio de Janeiro. Morreu na França em 1885, deixando uma vasta obra e um legado inestimável.

Por que Nísia Floresta é relevante?

Muita coisa mudou desde que Nísia imortalizou suas ideias nas obras que reverenciamos até hoje. No entanto, além do valor histórico de se ter no Brasil a primeira feminista latino-americana que carregava consigo princípios liberais, seus escritos são importantes para lembrarmos que mulheres não são social, econômica ou intelectualmente inferiores aos homens, elas foram apenas educadas de maneira diferenciada desde o nascimento. Hoje, a pedagogia moderna mostra que a autora tinha razão: até mesmo os brinquedos endereçados de maneira excludente para meninos e meninas pode influenciar nas preferências e escolhas futuras daquele adulto.

Foi através de Nísia que as ideias de Mary Wollstonecraft chegaram ao Brasil, numa tradução livre, adicionando suas próprias opiniões e adaptações à realidade brasileira, da obra Reivindicação dos Direitos da Mulher, que Nísia chamou de Direito das Mulheres e Injustiça dos Homens. É considerado o primeiro livro feminista da América Latina. Assim como Mary, Nísia era individualista convicta, e queria uma sociedade em que mulheres pudessem ser donas do próprio destino e das próprias finanças.

Nísia Floresta deixa como legado que a luta por uma sociedade mais livre precisa estar aliada à liberdade de tratamento e a inclusão dos foram historicamente marginalizados – mulheres, negros e a comunidade LGBT.

Por onde começar a ler?

Apesar do livro Direito da Mulher e Injustiça dos Homens ser sua mais icônica e famosa obra, Nísia escreveu outros tratados feministas advogando pela liberdade e educação das mulheres. São eles:

. Conselhos a Minha Filha (1842)
. Opúsculo Humanitário (1853), disponível para compra no link.
. A Mulher (1859)

No PDF gratuito a seguir, já em domínio público, você pode encontrar ensaios biográficos sobre Nísia, além de trechos de suas obras mais importantes: Nísia Floresta, por Constância Lima Duarte

Este Guia é uma colaboração de Cecília Lopes, liderança do Livres-RJ e fundadora do Ladies of Liberty Alliance Brasil.