Em qualquer ranking de melhores universidades brasileiras, as instituições públicas aparecem no topo. No ranking da Folha de São Paulo, de 2018, as federais lideram.

Ou seja, as universidade públicas são grandes motores de produção de conhecimento e pesquisa no Brasil.

Por outro lado, são muito ineficientes. Nos últimos anos, os bilhões repassados para essas instituições pelo governo federal ficaram cada vez mais sufocados. Estão escoando para aposentadorias e pagamento de salários de servidores, que são gastos obrigatórios – nenhum governo pode mexer neles.

A situação é caótica:

-Em 2017, 87% dos gastos da UFRJ foram para folha de pagamento.

-Em 2019, a UFMG tem previsto 84% do orçamento escoando para folha de pagamento. Na UFRGS, o número sobre para 86%.

Ou seja, sobra pouquíssimo para manutenção, obras, pesquisa e bolsas. Qualquer corte nas verbas que restam – em média, 15% do orçamento – representa falta de energia, suspensão de bolsas de mestrado, banheiros sem papel higiênico.

As Universidades federais estão vulneráveis. A estratégia de depender completamente do governo federal para financiamento é suicida – principalmente se o governo federal aponta ministros da Educação que preferem briga ideológica e paranóia política a medidas concretas e bem planejadas.

Se as universidades federais aceitassem mais dinheiro privado, buscassem mais doações e cobrassem mensalidade aos alunos que podem pagar, essa vulnerabilidade se dissiparia muito. Mas a mentalidade dos grupos organizados nessas instituições ainda é de “luta contra o capital”.

Exemplos bem-sucedidos estão no mundo todo, inclusive nas 3 melhores universidades públicas do mundo – todas do Reino Unido.

A Universities UK, uma importante associação de estudos e pesquisa das universidades britânicas, aponta que os estudantes de lá precisam pagar diversas taxas. Quando o parlamento britânico discutiu a retirada dessas taxas, a Universities UK defendeu o sistema por dois motivos: é um mecanismo eficiente contra a desigualdade (estudantes ricos pagavam a maior parte) e não atrapalha o acesso dos mais pobres.

Tudo isso ajudando a dar independência financeira à universidade.

Em relatório de 2016, a Universities UK divulgou que apenas 26% das receitas são de financiamento público direto.

O que isso mudaria na prática por aqui?

1. O orçamento federal ficaria menos sufocado pelos repasses bilionários para as Universidades.

2. Com orçamento recebido diretamente pelas instituições para despesas como pesquisa ou manutenção, as universidades podem oferecer melhor estrutura para os estudantes e pesquisadores.

3. Se feito de forma transparente e bem gerida, o recebimento de doações e financiamento de empresas privadas auxiliaria na independência das universidades.

A produção de conhecimento precisa de independência de pensamento, não de intervenção ideológica do governo federal. Não é papel de nenhum ministro da educação cortar verbas de universidades a partir de cortinas de fumaça como “balbúrdia”.

Se você acredita na importância da liberdade de expressão e na liberdade de pensamento, a conclusão lógica é defender também mais autonomia financeira para as melhores instituições de produção intelectual do país.

O que precisamos é de soluções práticas – aceitar e promover o financiamento privado nas Universidades é uma das mais eficientes e importantes para o momento em que vivemos.