As trapalhadas em série do governo Bolsonaro agora incluem uma convocação para manifestações de rua no próximo dia 26 de maio. Após apenas 5 meses de governo, o bolsonarismo já aderiu aos “protestos a favor”, prática peculiar que foi típica dos governos petistas.

A retórica usada pelos apoiadores da ação convoca para defesa do governo em uma “luta contra o centrão” e pelo “enquadramento do STF”. Num contexto em que o presidente trata ‘centrão’ como sinônimo de Congresso, as manifestações adquirem um caráter explicitamente ofensivo às instituições fundamentais do nosso sistema democrático.

É verdade que as nossas instituições não são perfeitas e que há problemas de representatividade. É legítimo apontá-los e buscar alternativas para corrigi-los. Desde 2013, surgiram diversas iniciativas da sociedade civil buscando dar sua contribuição nesse sentido. A propósito, esse é o contexto em que nós, do Livres, estamos inseridos. Mas aperfeiçoar as instituições não é compatível com tentar atropelá-las.

Bolsonaro pode não estar muito habituado com a ideia, mas nas democracias liberais a eleição para o executivo não é uma carta branca de poder total. O sistema de pesos e contrapesos é importante para garantir a voz das minorias e os direitos individuais, sem os quais não existe democracia.

Em nossa história, temos alguns exemplos de presidentes que tentaram ignorar a relação com o Congresso e substituí-la por um suposto apoio popular das ruas. Invariavelmente, o resultado foi um fracasso.

Vivemos uma grave crise econômica, herança desastrosa do governo Dilma Rousseff. Apesar dos esforços da competente equipe econômica, a situação está piorando graças ao imobilismo e à incapacidade política do governo Bolsonaro. Temos milhões de desempregados e nenhum tempo a perder.

Nesse contexto, o clima de acirramento de ânimos e intolerância só faz mais mal ao país. O governo deveria deixar as polêmicas e os moinhos de vento ideológicos de lado e se ocupar de fazer aquilo para o qual foi eleito: governar, focar nas reformas que o país precisa e resolver o problema do desemprego. Tarefas que, segundo a nossa Constituição, não são possíveis sem o Congresso.