Há uma grande ofensiva de grupos comandados pelo PT, com direito a muitas fake news distribuídas pelas redes, na tentativa de aproveitar o momento para emplacar uma narrativa que busca convencer a população de que Lula seria inocente e de que o PT representaria um caminho em defesa da democracia.

Em que pese a importância de apuração dos indícios levantados pela reportagem do The Intercept Brasil (assunto sobre o qual já nos pronunciamos aqui: link), é fundamental também recuperar alguns fatos.

O sistema jurídico brasileiro possui diferentes instâncias e inclui julgamentos realizados por órgãos colegiados exatamente para que os direitos fundamentais sejam resguardados de eventuais erros que possam ser cometidos por operadores individuais do judiciário.

Independentemente do que venha a ser apurado sobre a conduta de Sergio Moro e das consequências que essa apuração possa gerar sobre o julgamento do caso Triplex, portanto, é fato que o ex-presidente Lula também foi julgado e condenado nas outras instâncias.

Também é fato – e é importantíssimo salientar – que a condenação ocorreu com base em provas robustas presentes nos autos do processo. E ainda que esse não é o único processo a que Lula está respondendo.

Infelizmente, é previsível que o PT busque usar sua vasta estrutura para-partidária para tumultuar ainda mais o ambiente político e institucional do país. Não seria possível esperar a postura de grandeza e admissão dos próprios erros por parte de quem jamais aceitou o batismo democrático, nem se conformou com a legítima alternância de poder.

Precisamos lembrar que o atual estado geral da política brasileira é resultado, sobretudo, do fato de que ao longo das últimas décadas o PT se comportou na prática, para além dos discursos, como o maior inimigo da democracia brasileira. Constatação cuja lista de razões é extensa:

  • financiaram ditaduras aliadas do partido;
  • saquearam os cofres públicos;
  • apropriaram-se de estatais e avacalharam sua governança;
  • beneficiaram indevidamente empresários amigos;
  • fraudaram o orçamento da União;
  • atacaram a liberdade de imprensa;
  • burlaram as regras eleitorais;
  • enriqueceram seus próprios líderes;
  • tornaram-se os maiores agentes de sofisticação do patrimonialismo, tão arraigado em nossa história.

Tudo isso enquanto fomentou ódio e divisão na sociedade brasileira, financiando veículos para-estatais de difamação dos adversários e investindo todas as suas forças na mais radicalizada polarização.

Todos esses crimes e desserviços ao país são reais, verdadeiros e escancarados. Nada disso é invenção da Lava Jato. Muito menos se anula pela descoberta de possíveis erros de pessoas ligadas à operação.