Roberto Campos (1917 – 2001) viveu numa época em que falar sobre ideias liberais era visto com estranheza e hostilidade. Mas nem sempre foi assim. No começo da carreira, Roberto foi bastante influenciado pelas ideias de Keynes, economista que defendia intervenção estatal como chave para o desenvolvimento. No começo como servidor público, cometeu deslizes que tornaram-se arrependimentos: foi responsável pela criação do BNDES e apoiou a criação da Eletrobras e da Petrobras.

Mais tarde, Campos mudou radicalmente suas concepções. “Delfim, perdi muito tempo. Só deveria ter lido Hayek”, comentou com seu então colega de parlamento, Delfim Netto, referindo-se a um dos maiores economistas e filósofos liberais, Friedrich Hayek.

Campos apoiou a abertura do mercado de informática, durante o governo Collor, e foi o primeiro a defender a privatização da Petrobras, estatal que ele chamava de ‘Petrossauro’. Praticamente pregava no deserto, mas conseguiu lançar a semente de um Estado mais enxuto, numa época em que o Estado era tudo na economia brasileira.

Tinha a convicção de que essa era melhor maneira de promover o desenvolvimento sustentável, e não se constrangia em expressá-la a qualquer tempo e lugar. Morreu em 2001, prevendo o colapso de nosso sistema dominado pelos cinco “ismos”: nacionalismo, protecionismo, estatismo, corporativismo e patrimonialismo. Estava certo.

Seu legado foi resumido pelo economista Renato Fragelli, da FGV: “No Brasil, a direita quer um Estado grande, para que ele seja saqueado pelo patrimonialismo, enquanto a esquerda quer um Estado igualmente grande, para que ele seja saqueado pelo corporativismo. Campos queria um Estado pequeno, para que ele não fosse saqueado”.