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A esquerda está que nem o Brasil naquele 7×1. O time nem é tããão ruim assim para tomar essa lavada; mas levou uns gols e ficou zureta, perdeu as estribeiras. A esquerda está atordoada, fora de si, gritando “árbitro fascista!” para todo lado. E enquanto isso a bola vai entrando, gol atrás de gol. Está preocupada demais com o juiz e se esquecendo da própria incompetência.

Agora era aquela hora de cair no chão; fingir uma contusão, rolar na grama, fazer uma cera para deixar o jogo esfriar. Enfim, parar para PENSAR: “Como pode termos tanta compaixão, querermos tanto o bem dos mais pobres, e ainda assim estarmos sofrendo um revés histórico? O que fizemos de errado?”.

Perder de 1×0 até pode ser erro de arbitragem; mas 7×1 é incompetência mesmo. Não dá para colocar a culpa nos outros; é preciso assumir a responsabilidade.

O único problema é que isso contradiria o narcisismo, que é um elemento fundamental da identidade da esquerda: a ideia de que a esquerda deveria contar com salvo-conduto porque seria a encarnação política do bem.

Os erros não importariam, porque afinal a esquerda é a única do Bem.

Por isso a esquerda evita perguntar para o espelho; não quer correr o riscode ter de ouvir que sim, existe alguém tão belo quanto vocês.

Tenho a impressão de que, quem faz essa auto-crítica, quem pergunta para o espelho com sinceridade, acaba por sair da esquerda. Porque percebe que ela é mais narcisismo e mitologias de egos auto-absortos do que real preocupação com a liberdade e a condição do próximo.

A esquerda não é a única que quer o Bem; ela é só a única que se acha a única. E nunca essa ilusão foi tão percebida, por tanta gente, como nesta época histórica do nosso país.