Cuidado quando você defende que alguém seja preso pelo que fala. Você pode ser o próximo.

“Posso não concordar com nenhuma palavra do que dizes, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-las”.

Atribuída ao filósofo Voltaire pela escritora britânica Evelyn Beatrice Hall, esta frase clássica é a mais brilhante definição do que significa defender a liberdade de expressão.

Você pode achar um discurso horrível, repulsivo ou digno de reprovação. Você também pode criticar esse conteúdo. Isso é legítimo e saudável. O mundo fica melhor com isso.

Mas não: você não pode proibir um discurso. Não é legítimo prender alguém pelo que fala.

Quem deve ser o juiz do que pode ou não ser falado? Quem define o que é ofensivo ou reprovável?

A opinião da sociedade sobre o que é uma fala aceitável ou não varia de acordo com o tempo. É natural, a cultura muda. A propósito, a liberdade de trocar opiniões é fundamental para que isso aconteça.

O que hoje é considerado bom e virtuoso, amanhã pode ser considerado ruim e reprovável.

Quando damos ao Estado o poder de censurar ou prender alguém pelo que fala, nada garante que nós não vamos ser os próximos a ser presos.

Restringir a liberdade de expressão dessa forma é criar uma armadilha que pode se voltar contra você mesmo.