A maior parte dos impostos no Brasil é cobrada no que consumimos. Digamos que você compre um bolo e 10% do valor dele seja de impostos. Uma pessoa que vive com um salário mínimo e um milionário vão pagar a mesma quantidade de impostos.

Isso existe no mundo todo, mas é desproporcional no Brasil. Apesar do que dizem por aí sobre riquezas naturais, somos um país pobre, com renda per capita muito baixa para média mundial. Segundo o IBGE, temos 5,2 milhões de crianças vivendo na extrema pobreza e 18,2 milhões na pobreza. Tributar no consumo é um erro que custa ainda mais para quem sobrevive com quase nada.

Precisamos reformar todo o sistema tributário brasileiro: ele precisa se basear nos impostos sobre a renda, não sobre o consumo. Além disso, esses impostos, os diretos, precisam ser simples, uniformes. Não podem continuar pesando desproporcionalmente sobre os mais pobres.

Isso não acontece no Brasil. O Imposto de Renda, por exemplo, tem alíquotas que igualam quem ganha R$4.700 e quem recebe R$305.280. Há ainda várias isenções e reduções de taxas, como regimes reduzidos de impostos – iguais tanto para microempresas quanto para as que faturam até R$4,8 milhões ao ano.

Nesse processo, precisamos enxugar as despesas do governo.

O Banco Mundial aponta que os servidores públicos ganham 67% a mais que os funcionários da iniciativa privada no Brasil – o que contribui, segundo o estudo, para a desigualdade acentuada no país. Isso significa que os mais pobres, que mais pagam impostos, estão pagando privilégios e salários altíssimos para um punhado de ricos.

A solução não é tributar mais empreendimentos – é tão difícil mantê-los funcionando e gerando empregos por aqui, que a maioria fecha antes de 3 anos.
A solução passa por reformar o sistema, parando de redistribuir a renda do pobre para o rico; e diminuir os privilégios que um país pobre paga para um punhado de pessoas.