Nós gastamos mais com pensões por mortes para viúvas e órfãos do que cuidando da saúde dos vivos. Em 2018, enquanto os gastos com pensionistas chegaram a R$ 160 bilhões, o orçamento geral da União para o Sistema Único de Saúde, que atende a toda população, esteve na casa dos R$ 120 bilhões.

Precisamos rever a forma como usamos o dinheiro dos pagadores de impostos. O formato atual das pensões é caro e injusto, atuando como fator de concentração de renda. Os principais beneficiários deste privilégio são os parentes de funcionários públicos de alto escalão, como juízes, promotores e militares, além de servidores do poder judiciário e executivo. Em 2018, 14 filhas solteiras de ex-servidores do Senado Federal receberam a quantia absurda de R$ 32,4 milhões em pensões, recebendo mensalmente o mesmo salário de um ministro do STF, de R$ 33,7 mil, o equivalente ao teto constitucional, maior valor que um funcionário público pode receber.

Não são poucos os relatos de mulheres adultas e produtivas, totalmente capazes de gerarem a sua própria renda, mas que seguem recebendo a pensão. Algumas, casadas em cerimônias religiosas há décadas, permanecem oficialmente solteiras em seu status civil apenas para não perder o benefício.

Por outro lado, há quem procure o casamento civil para receber a pensão. Como o filho de uma servidora do INSS, que forjou o seu próprio casamento com uma tia falecida na tentativa de tornar-se beneficiário das múltiplas pensões a que finada tinha direito: //goo.gl/nQBQJk

Enquanto isso, muitas pessoas seguem nas filas dos hospitais, sem conseguir atendimento. Se você acha que a saúde precisa de mais investimentos, você também precisa defender uma Previdência Justa.