Menos de 6 meses após o início do governo Bolsonaro, vivemos 2 manifestações relevantes que levaram milhares de brasileiros às ruas. A primeira, em 16 de maio, reuniu pessoas principalmente contra os cortes de gastos nas universidades. A segunda, neste domingo, 26, em defesa do governo Bolsonaro.

É possível criticar as duas manifestações. Na primeira tinha gente saudosa do PT, pedindo Lula Livre e evocando um passado que gerou os problemas que vivemos hoje. Na segunda, tinha quem fizesse ameaças autoritárias ao Congresso e ao STF.

No contexto de polarização crescente que o país tem vivido, há um risco de que os grupos políticos mais identificados com as manifestações usem o calor das ruas para reforçarem sua própria identidade e se fecharem ainda mais em suas bolhas. Seria péssimo. Precisamos de reformas estruturantes que só podem ser feitas com diálogo produtivo, maduro e tolerante.

Por isso, preferimos focar no copo meio cheio e pensar qual é a nossa parcela de responsabilidade nessa história toda. As duas manifestações mobilizaram milhares de pessoas nas ruas pacificamente, sem nenhum registro relevante de violência. Diante da maior crise enfrentada pelo Brasil em muito tempo, o povo quer participar ativamente de sua resolução, levando sua mensagem sem violência.

A democracia está pulsando. Essa energia precisa servir de impulso para que as forças políticas se organizem de forma eficiente, capaz de avançar com as reformas.

Nós, do Livres, assim como os demais movimentos comprometidos com a renovação e com a boa política, precisamos nos empenhar na elevação do nível do diálogo. A energia das ruas precisa ser canalizada para afastar o saudosismo e o impulso autoritário. Reestabelecendo as bases de respeito e tolerância do diálogo democrático, vamos conseguir construir soluções para os problemas comuns que nos afligem e tiraremos o Brasil da crise.

O futuro é uma obra diária. A responsabilidade é de todos nós.