A reação agressiva do governo Bolsonaro ao tirar o corpo da questão ambiental e jogar a culpa em espantalhos (ONGs, fazendeiros, indígenas, bichos-papões sem identidade definida criados pela narrativa governista) está prejudicando diretamente o excelente acordo de livre-comércio entre Mercosul e UniãoEuropeia.

Angela Merkel, chanceler alemã e inegavelmente a mulher mais poderosa do mundo, já vem expressando insatisfação sobre a política ambiental brasileira há semanas e a melhora nesse quesito é uma condição para o avanço dos acordos comerciais.

Amigo de Angela e principal aliado político, Emmanuel Macron seguiu essa linha e ontem mesmo se manifestou no Twitter criticando o governo brasileiro, cuja resposta chegou por um tweet de Eduardo Bolsonaro – aspirante a embaixador – chamando o presidente francês de “idiota”. Hoje, o porta-voz do governo irlandês comunicou que o país não vai assinar acordo algum se a postura oficial continuar como está.

Essas são apenas algumas das ameaças públicas ao acordo Mercosul-UE que levou árduos 20 anos para ser fechado.

O acordo comercial é uma grande oportunidade de tirar o Brasil da posição de um dos países com comércio mais fechado do mundo. Isso significa uma caminho para o desenvolvimento, o aumento da produtividade, o acesso das pessoas mais pobres a produtos cada vez mais baratos e com cada vez melhor qualidade.

Muitos dizem que o alarde sobre a Amazônia é desnecessário, exagerado, mas talvez ele seja exatamente a pressão que o governo Bolsonaro precisa para lembrar que campanha acabou há quase um ano e já passou da hora de se comportar de maneira minimamente responsável.

📸 Ueslei Marcelino/Reuters. Foto de 17.08.2019.