Inúmeras pessoas dedicaram suas vidas e tornaram-se símbolo da luta abolicionista no Brasil. Uma luta por liberdade contra as raízes da escravidão. No aniversário de 131 anos da abolição, relembramos alguns liberais do passado que contribuíram para um Brasil mais livre – e que nos inspiram até hoje nesta luta.
1. Luiz Gama (1830-1882)
Advogado autodidatata que libertou nos tribunais centenas de escravos. Negro e nascido livre na Bahia, foi vendido pelo próprio pai como escravo e só conseguiu a alforria muitos anos depois. Liberal, jornalista e poeta, escreveu como poucos sobre a liberdade e enfrentou os abusos contra os negros em todas as frentes possíveis. Denunciou juízes corruptos, apontou políticos hipócritas e conseguiu alforriar centenas.
Leia nosso Pequeno Guia Introdutório Sobre Luiz Gama aqui.
2. Maria Firmina dos Reis (1825-1917)
Mulher, negra e livre. A maranhense Maria Firmina dos Reis foi tudo isso e muito mais – escreveu o primeiro romance abolicionista do Brasil, Úrsula (1859), e fundou uma escola para crianças pobres, onde deu aulas gratuitas. Tornou-se professora de primário ao ser a primeira mulher aprovada num concurso para o cargo no Maranhão – e sustentava-se com o próprio salário numa época em que as mulheres não podiam sequer votar e o Brasil vivia sob o atraso terrível da escravidão.
Leia mais sobre Maria Firmina em reportagem da revista CULT aqui.
3. Dragão do Mar (1839-1914)
O Ceará foi a primeira província brasileira a abolir a escravidão e tinha alguns dos maiores grupos abolicionistas da época. O jangadeiro Francisco José do Nascimento – conhecido como Dragão do Mar, era membro de um deles. Em 1881, Francisco liderou uma paralisação de jangadeiros, que se recusaram a transportar escravos para os navios negreiros e impediram o tráfico de pessoas por vários dias. Sua jangada ficou famosa também pelo nome emblemático: Liberdade. 
Leia mais sobre Francisco José no site do Instituto Dragão do Mar aqui.
4. Maria Tomásia Figueira de Lima (1826-1902)
As “sociedade de senhoras abolicionistas” juntavam mulheres de todas as esferas sociais para discutir a liberdade e torná-la realidade. Elas coordenavam pagamento de alforrias com os próprios escravos e conseguiam doações para esses pagamentos. A cearense Maria Tomásia Figueira Lima foi uma das mulheres que levaram o abolicionismo para a prática. Conseguiu doações até mesmo de D. Pedro II para a compra de alforrias. Ajudou a libertar milhares de escravos em todo o Brasil.
Leia mais sobre Maria Tomásia no livro Dicionário da Escravidão aqui.
5. Joaquim Nabuco (1849-1910)
O liberal pernambucano conseguiu até o apoio do papa – literalmente – para a causa. Nabuco foi um dos maiores intelectuais brasileiros de sua época e usou o prestígio e riqueza da sua família para a campanha contra a escravidão. Impulsionou a causa abolicionista/liberal como poucos. Circulou nos salões da Europa buscando apoio para a abolição no Brasil e atuou nas periferias do Recife atendendo quem mais precisava.
Leia panfleto O Abolicionismo, escrito por Joaquim Nabuco e disponível para download gratuito aqui.