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Como o Livres leva empreendedorismo para dentro da sala de aula

Escolas municipais e rede estadual inteira, Líderes Livres testam como levar empreendedorismo para dentro do currículo, não como curso avulso.
20 de fevereiro de 2026 por
Como o Livres leva empreendedorismo para dentro da sala de aula
Livres, Laura Melaré
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A escola brasileira ensina o aluno a resolver equações, mas raramente ensina como abrir uma conta de negócio, precificar um produto ou entender um contrato. Para a maioria dos estudantes da rede pública, o primeiro contato prático com o mundo do trabalho acontece fora da sala de aula, quando já é tarde para construir a base necessária. Dois municípios e um estado decidiram mudar esse cenário, com diferentes ferramentas.

Salto: empreendedorismo do 1º ao 9º ano

Salto integrou o programa nacional Jovens Empreendedores Primeiros Passos, do Sebrae, que leva conteúdos teóricos e práticos de educação empreendedora para dentro do currículo das escolas municipais, do 1º ao 9º ano, com capacitação específica para os professores que vão aplicar o conteúdo. Não é uma palestra isolada nem uma oficina de contraturno. É parte da grade, adaptada para cada fase da formação do aluno.

O vice-prefeito e Líder Livres Fábio Jorge conduziu a adesão ao programa em parceria entre a Secretaria da Educação, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e o próprio Sebrae. A cidade também já foi reconhecida pelo Sebrae com o selo de referência em atendimento ao empreendedor, sinal de que a aposta em cultura empreendedora vai além da escola e alcança a gestão municipal como um todo.

Brusque: recurso garantido por lei, decisão do Executivo

Em Brusque, o caminho começou ainda na Câmara de Vereadores. Como parlamentar, André Vechi, hoje prefeito e Líder Livres, propôs a criação da chamada Lei da Inovação, depois de mais de um ano e meio de trabalho com um grupo que pesquisou experiências parecidas em outros municípios do país. A lei garante recurso todo ano, via Fundo Municipal de Inovação, especificamente para fomentar empreendedorismo e inovação dentro das escolas.

Anos depois, já como prefeito, Vechi usou essa base para implementar o ensino de empreendedorismo nas escolas municipais por decisão direta do Executivo. Diferente de Salto, essa etapa não passou por votação na Câmara, porque o financiamento já estava garantido pela lei aprovada anos antes. É a mesma pauta perseguida em dois momentos e dois papéis diferentes por um mesmo Líder Livres: primeiro como vereador, criando a base legal e o financiamento, depois como prefeito, usando o poder Executivo para colocar o ensino em prática.

Alagoas: da escola municipal para a rede estadual inteira

Em Alagoas, a deputada estadual Cibele Moura, Líder Livres, protocolou o PL 1190/2024, que cria o Programa de Capacitação para a Vida Profissional nas escolas estaduais, combinando orientação para currículo, simulações de entrevista de emprego, competências socioemocionais, noções de educação financeira e introdução ao empreendedorismo, aprovado em primeiro turno em março de 2026.

Por que isso importa

O Livres já reuniu especialistas em mercado de trabalho para discutir esse tipo de mudança estrutural em seus Encontros do Conselho Acadêmico. Um deles, José Pastore, professor titular aposentado da FEA-USP e uma das maiores referências brasileiras em relações do trabalho, defende que o emprego formal tradicional está cada vez mais escasso para quem tem menos qualificação, tornando ainda mais urgente preparar o jovem para criar sua própria oportunidade em vez de esperar por uma vaga que talvez nunca apareça.

Ensinar empreendedorismo na escola pública não é sobre transformar todo aluno em empresário. É sobre dar a quem só tem a escola pública como ponto de partida uma ferramenta para criar a própria oportunidade, num mercado que oferece cada vez menos vagas prontas para quem tem pouca qualificação. Cada município que testa esse modelo, com apoio de parceiros como o Sebrae, gera evidência sobre o que funciona antes de qualquer decisão em escala estadual ou nacional.

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