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Jornalista, co-fundador do Students For Liberty no Brasil, integrante do Café Colombo e diretor de comunicação do Livres.

Nós, do Livres, temos valores ideológicos claros. Defendemos liberdade individual, estado limitado, democracia liberal, economia de mercado e sociedade aberta.

A partir desses valores, analisamos as evidências disponíveis e articulamos respostas concretas para os desafios reais do Brasil, que são vários, complexos e urgentes. As respostas necessárias não cabem em nenhuma cartilha ou dogma abstrato. O mundo é mais complexo que as teorias. E como dizia o poeta, amar e mudar as coisas interessa mais.

Como é natural, temos muitos debates internos e diversidade de posições. Não somos uma tribo. Quando realmente existe liberdade individual, a resposta dos indivíduos nunca será exatamente a mesma. Há poucas coisas mais belas que isso.

Somos capazes de conviver com nossa diversidade e, a partir de nossos valores em comum, estabelecer consensos sobre algumas agendas. Na construção democrática, também entendemos que existem outros valores legítimos na sociedade e, por isso, somos capazes de negociar, fazer concessões e construir acordos. Outras vezes, a divergência é mais complexa e não precisamos necessariamente fechar posições.

Essa postura – ao mesmo tempo dialógica, aberta e convicta, que sem abrir mão dos valores fundamentais não alimenta dogmatismos – gera muita incompreensão. Um resultado das distorções graves que existem no debate público brasileiro. Ainda estamos pouco acostumados com isso.

Nessa toada, tem libertário que não entende o Livres porque, mesmo sendo liberais convictos – e abertos para os libertários -, somos capazes de defender a regulação do Estado em algumas áreas.‬ ‪Tem social democrata que não entende o Livres porque, mesmo defendendo a regulação do Estado em algumas áreas, somos contra empresas estatais.‬ Por vezes, os dois se surpreendem com nossa posição ao mesmo tempo. Aconteceu, por exemplo, em nossa enfática defesa do novo marco legal do saneamento.

Os brasileiros ainda não tiveram muita oportunidade de lidar com os liberalismos – assim, no plural, convivendo em sociedade com a profunda disposição de respeitar a divergência ao mesmo tempo em que defendemos valores firmes. Um século atrás, Ortega y Gasset já se entusiasmava com esse fenômeno contraintuitivo. A humanidade tem uma tentação natural à imposição da força. É demasiado complexo que tenha surgido essa postura tão bonita, de conviver com a diferença, antes vista como inimiga. Essa é a essência do liberalismo. Como disse o espanhol, é o grito mais nobre que já soou pelo planeta. E continuaremos a soar, cada vez mais alto, no Brasil.