Doutorando e Mestre em Direito Processual pela UERJ, professor do Centro Universitário de Brasília e ex-assessor do Ministro Fux no STF e TSE.

Siga nas redes sociais

O liberalismo consiste, basicamente, numa corrente política que defende a liberdade em todos os seus aspectos. Nesse sentido, o Estado precisa justificar os motivos pelos quais limitará a vontade do particular em determinadas áreas da vida.

E qual o período que foi criado para termos uma liberdade quase plena? O carnaval – a melhor época do ano, para mim. Apesar de sua origem nebulosa, alguns costumes relatados eram justamente de que nesse período as pessoas poderiam tomar o papel de outras, ricos se fingiam de pobres e vice-versa. Dizem que na Roma antiga, os escravos eram libertados, na Babilônia, os presos também – e viviam como reis. Até mesmo com a incorporação pelo cristianismo, o carnaval significava os últimos dias em que era permitido comer carne, antes da quaresma.

Portanto, carnaval e liberalismo guardam uma relação íntima que, por vezes não estamos acostumados a relacionar. E aqui eu digo que é o liberal por inteiro: na economia e nos costumes. Afinal, um homem pode sair vestido de mulher e comprar uma água ou um sanduíche com um vendedor ambulante, combinando o preço que entenderem mais justo para ambas as partes, sem que o Estado intervenha, na maioria das vezes. A criatividade é premiada e você pode vender uma “sprayzada” de desodorante a R$ 2 pelos blocos nas ruas sem precisar de alvará ou registro na junta comercial.

O carnaval é um retrato tão fiel do liberalismo que, até quem não gosta, não precisa ter que celebrar essa data nas ruas ou em festas. Como é um feriado, você pode descansar, fugir e passar o período do jeito que melhor entender.

Além disso, temos uma injeção de renda na economia nacional no presente ano de algo em torno de 6,78 bilhões de reais, com a criação de quase 24 mil novos postos de trabalho para essa época, segundo a CNC. Esse valor dá a oportunidade de se criar 318 hospitais públicos com 190 leitos cada ou então 3.500 escolas públicas estaduais com 1.400 novas vagas cada.

Nas escolas de samba, temos geração de emprego o ano inteiro, com passistas fazendo shows em vários locais do mundo, além das costureiras que fazem as fantasias, as cozinheiras que fazem aquela feijoada mensal para arrecadar dinheiro para o desfile.

É toda a comunidade criando renda em torno dessa data. Daí a importância da competição e de ir tão bem nos desfiles e campeonatos. Quanto mais vezes campeã, quanto melhor for o desfile, maior a probabilidade de se obter mais recursos, via patrocínio, e melhores condições poderão ser propostas para todos que trabalham nas escolas de samba.

A competição, ao contrário de amordaçar a liberdade, dá voz e asas à criatividade e aumenta o potencial de crescimento de um bairro, de uma comunidade, o que traz a conclusão de o carnaval conter somente vantagens, e fica claro que quanto mais presente a liberdade em todos os aspectos da vida, maior também será o crescimento de sua qualidade, de modo diretamente proporcional.

Por isso digo que “minha carne é de carnaval e meu coração é igual”. Minha mente é liberal e espero que um dia o Brasil também seja igual.